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Sérgio Machado
Radialista


A intolerância política e a liberdade de expressão
   
O assassinato de mais um colega radialista nos leva mais uma vez à reflexão sobre a liberdade de imprensa, o livre exercício da profissão e a tolerância. Mais um pai é tomado do seio de sua família de forma covarde, um crime encomendado por aqueles que, incomodados com as opiniões emitidas pelo radialista, numa atitude extrema lhe tiram a vida, lhe calam a voz.

Sem querer entrar no mérito das opiniões do radialista, não se pode conceber que alguém pague com a vida o preço por emitir opinião. Há meios legais aos quais se pode recorrer em caso de crimes contra a honra.  

A linha de atuação de Gleydson Carvalho é uma das mais perigosas para quem faz comunicação. Conhecido por denunciar desmandos e a atuação de políticos, Gleydson era uma pedra no  sapato para muitos,  mas era também uma das pouquíssimas vozes a questionar os poderosos. Preocupa a toda a classe o aumento no número de ocorrências desse tipo. Entidades como a associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão(ABERT) e Associação Cearense de Emissoras de Rádio e Televisão(ACERT) repudiaram através de notas públicas o ocorrido.

Em coro com a Nota da ABERT, a ACERT destaca: “O ato de violência perpetrado atingiu não somente a pessoa do Radialista, mas à liberdade de expressão de todos os brasileiros; devendo, portanto, ser punido com a maior severidade”. 

Ainda no mês de julho, Irina Bokova,  diretora-geral da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, denunciou o assassinato de três jornalistas em Honduras e clamou que crimes contra profissionais da mídia não fiquem impunes. 

A sensação de impunidade é que faz com que se proliferem crimes como este que põem em risco um dos pilares de sustentação de uma democracia, que é a liberdade de expressão. Não foi “só” mais uma vida ceifada, não foi “apenas” mais um radialista morto, mas a reiteração de que nesse País, ao contrário do que muitos pensam, ter opinião ainda é muito perigoso.

Vivemos tempos de intolerância, temíveis tempos de intolerância, principalmente de opiniões políticas, tempos em que são muitas as vozes do retrocesso, que ainda acreditam que os problemas e as diferenças se resolvem na força. Tristes tempos!

Não custa refletirmos sobre as palavras do general catarinense Lauro Müller: “É a intolerância que nos desgoverna, ou venha ela do exagero partidário, ou nasça da ambição de conservar ou adquirir o mundo. É dela que nascem os governos prepotentes e as oposições facciosas; dois extremos que se confundem na obra comum de destruição das liberdades políticas”.

A esmagadora maioria de nós que fazemos comunicação em algum momento do exercício de nossas profissões já fomos vítimas de intimidações e de retaliações. Independentemente do que falamos, ainda que falemos a verdade, nós incomodamos. Porque nunca há apenas um lado. Há no mínimo dois e, antagônicos. 

Se você critica um feito da situação, esta se volta contra você. Se mostra uma ação positiva desta, é a vez da oposição lhe perseguir. E quem escolhe a imparcialidade - que deveria ser a regra e não a exceção-, tem de estar preparado para receber ataques de ambos os lados. Eu, particularmente, acho que o bom radialista é aquele que não agrada A nem B, mas que fala o que precisa ser falado, dá voz a quem precisa ter voz.

Nos alertou no início da tarde de hoje, através da Rádio Campo Maior, o jornalista Cláudio Teran: “Nós profissionais da comunicação temos que ter consciência da nossa ética profissional, do nosso limite e de saber até onde podemos ir”.

Eu acho que o limite da ética é a verdade. Tudo que ultrapassar a realidade dos fatos deve ser evitado porque o nosso compromisso deverá ser sempre com os fatos e não com as pessoas. Nós radialistas temos de estar à serviço sempre da verdade e da população, esse é o risco necessário. 

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