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Quarta-feira, 20 de setembro de 2017.
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Sérgio Machado
Radialista


A água acabou, e agora?
   
Um rio agonizante, sol escaldante, terra rachada, gado magro, pastagem seca, baldes e bacias, uma fila de sedentos em busca de água. Pelo quarto ano consecutivo a seca castiga o Estado do Ceará. Quixeramobim, localizado na região central do Estado, perdeu seus dois maiores reservatórios. 

Do Fogareiro e Barragem, antes dois “mares” d’água restam apenas pequenas poças. O peixe morreu e a esperança, combalida, se volta para o céu azul na esperança de que o ano vindouro seja mais generoso em precipitações chuvosas, apesar de não ser isso que sugerem as previsões da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos(FUNCEME).

Mas o sertanejo, como dizia Guimarães Rosa, é antes de tudo um forte. E sua força está na fé, na fé que não desanima, na valentia para enfrentar e resistir à estiagem que assola a região por anos seguidos. Para o sertanejo, cearense, a ciência tem sim, sua razão, mas Deus tem o domínio de tudo e é nessa fé que se espera dias melhores.

A terra seca é rasgada para receber em suas entranhas sessenta quilômetros de canos de metal por onde a água do Açude Pedras Brancas, localizado entre os vizinhos municípios de Banabuiu e Quixadá deverá passar até chegar para socorrer a população de Quixeramobim.

Sabe-se que o compartilhamento da água requer uma mudança de postura e de consciência da população dos dois municípios abastecidos pelo reservatório e, fato é que ainda não aprendemos a conviver com a seca, o que é fundamental, tendo em vista que combatê-la é impossível. A seca é uma característica nossa. Nós que temos que nos adaptarmos a ela.
 
O uso consciente da água deverá ser feito tanto pelos habitantes do município que hoje depende exclusivamente de ações emergenciais (Quixeramobim) quanto por aquele que não sofre as drásticas condições do desabastecimento (Quixadá). Na prática é: dividir a água, usá-la com responsabilidade para que não falte para ninguém. Diz o ditado popular que “só percebemos o valor da água depois que a fonte seca”. Estamos sentindo isso na pele.

Aos críticos da construção da adutora e aos seus argumentos de que a água restante no Pedras Brancas não será suficiente para atender a demanda dos dois municípios, cabe lembrar que a Lei 9433/97, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos em seu artigo 1°, inciso I  preconiza que  a água é um bem de domínio público. Ou seja, a água do Pedras Brancas não pertence ao Município de Quixadá ou de Banabuiú. Mas, não careceria de lei se os ensinamentos bíblicos fossem respeitados: “Dai de beber a quem tem sede”. 

Diante do agravamento da situação, o Poder público- reconheçamos - tem feito um incessante trabalho para, ao menos, amenizar o problema do desabastecimento não só na zona urbana, que há 22 anos não sabia o que era depender de carro pipa, mas na zona rural, onde diversas alternativas emergenciais estão sendo postas em prática. A última vez que a população da cidade se viu numa situação tão crítica de falta de água foi no ano de 1993. 

Hoje, com maior número de habitantes, estimados em 77.174,  os esforços também requerem um esforço maior. Somente na zona urbana são 42 rotas de carros-pipa para atender a população. Na Zona Rural são 108 carros. A coordenação é da Defesa Civil do Ceará, e a operação se dá com o aporte de recursos do Ministério da Integração Nacional.

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) trabalha diuturnamente para tentar manter minimamente o abastecimento através de dezenas de poços perfurados, cacimbões e ponteiras instaladas na Barragem. Mas isso não é suficiente.
 
São necessários esforços de todos e em todos os sentidos. O uso racional requer mais do que ações institucionais. A população precisa se empenhar cada vez mais e construir uma consciência coletiva no sentido de utilizar a água de modo responsável porque - ao contrário do que uma menininha com quem conversei falou- água não vem da torneira não. E se não economizar, acaba sim, bem sabemos.

O artigo 7° da Declaração dos Direitos da Água, da Organização das Nações Unidas (ONU) é claro: “A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis”.
 
O tempo urge, a água está cada vez mais escassa e as previsões de quadra invernosa não são as melhores. Que mais uma crise hídrica desperte em nós uma nova consciência e novas práticas, e nos governos ações planejadas de convívio com a estiagem, utilizando-se de novas tecnologias e de uma gestão de águas mais realista e consciente porque é no mínimo vergonhoso em pleno século XXI uma população inteira depender de carro-pipa e de cacimbões para sobreviver. 

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