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Quarta-feira, 20 de setembro de 2017.
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Sérgio Machado
Radialista


A História sob os escombros
   

Quixeramobim despertou nesta segunda-feira sentindo um vazio na alma, um vazio de quem perde a cada dia um pouco da sua identidade. Foi por terra mais uma testemunha da História da nossa cidade, já não existe mais o prédio da Farmácia São Pedro, um dos últimos que restavam diante do triunfo da especulação imobiliária sob o nosso patrimônio histórico e arquitetônico. 

A terra vermelha qual sangue, as ferragens retorcidas e a poeira no ar denunciavam o crime cometido na calada da noite, enquanto descansavam os cidadãos de bem e dormia em berço esplêndido o poder público. Tragédia já anunciada diante da sucessão de demolições e intervenções desastrosas de prédios importantes do município.

De casarões antigos, como o que testemunhou o nascimento de Andrade Furtado, restam apenas fotografias e os relatos dos populares. O casarão do Dr. José Felício, esquina com a Igreja Matriz, está em ruínas, a senzala ali instalada foi completamente demolida. A própria Igreja Matriz teve arrancados de suas entranhas seus belíssimos azulejos portugueses diante do silêncio atônito dos freqüentadores e da indiferença daqueles que detêm a competência de zelar pela preservação do nosso patrimônio histórico-cultural.

Que se passa com os nossos gestores? Cadê a atuação do conselho municipal de cultura, que segundo informam seus próprios membros, desde sua formação não se reuniu uma vez sequer? Por que tanta omissão, tanta inoperância? A quem interessa essa apatia?

Cada parede que cai leva consigo um pedaço da nossa história, da nossa identidade cultural. Mais do que de valores, manifestações culturais e costumes, nossa história é composta pelos nossos edifícios que apresentam traços da nossa colonização e da nossa formação. Estamos perdendo essa identidade, as nossas referências, estamos deixando de ser. O que sobrará da nossa História para as gerações futuras?

Onde jazem nossas belas construções levantam-se monstros de concreto a serviço do capitalismo selvagem que nos dizima a alma na busca desenfreada do lucro, contando com a condescendência dos organismos que deveriam atuar contra essa terrível prática.

De nada adianta agora lamentar as perdas, chorar sob os escombros. A sociedade aguarda uma resposta concreta do poder público na forma de prevenção de novas demolições e modificações do nosso patrimônio arquitetônico e histórico-cultural e na punição dos responsáveis por esses crimes.


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