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Quarta-feira, 24 de maio de 2017.
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Adísia Sá
Jornalista e Professora


 

O que passa, chega
   
“Tudo passa, tudo flui” – não mais do que por isto Heráclito é chamado de “o filósofo choroso”. Eu acrescentaria: o que passa, chega. Não é assim o tempo? Na fluidez do vir-a-ser, o presente não existe. Como, não existe? Você dirá: “estou lendo, agora, logo, é no presente que me encontro.” Ledo engano: no átimo do segundo em que se diz essas palavras, o hoje já é ontem, também, amanhã. Coisa de Heráclito, sem dúvida um dos filósofos que mais me impressionaram e marcaram quando estudante de Filosofia. O decorrer da vida me mostrou que, realmente, nada é: foi e está sendo.

Disto me lembrei neste final de ano, quando presenciei uma cena que marcou a minha madrugada de terça-feira. Estava no bom sono da manhã que viria, quando ouvi gritos vindos da pracinha Francisco Matos. Levantei-me assustada e, olhando pela janela, vi uma cena que me cortou o coração, como se diria “outroramente falando”. Era uma jovem procurando libertar-se do companheiro, que a esmurrava impiedosamente. Gritei:”deixe a mulher”. Tolice: ele estava insandecido. Fiquei pensando: o que teria havido entre os dois, culminando nestes lamentáveis acontecimentos? Nisto parou uma bicicleta e dela desceu um homem com roupas de cooper: aproximou-se do casal e, sem que eu pudesse escutar, pelo menos sussurros, percebi entretanto que ele falava…. falava. E o casal o ouvia atentamente.

A cena demorou minutos e minutos, tempo suficiente para o jovem agressor esquecer o que estivera fazendo e ouvir o homem. O que teria dito? Quem era aquele homem? De onde viera? O que o levara a sair de seu exercício e debruçar-se sobre o casal sentado no banco da pracinha do meu bairro? Tive vontade de descer e acompanhar aquela cena insólita: me contive e fiquei na janela atenta àquele homem dizendo algo ao infeliz agressor. A moça, de cabeça baixa, enxugava as lágrimas no seu minúsculo short.

O homem saiu- acompanhei a sua trajetória – retornou à caminhada. O casal ficou alguns minutos sentado, levantou-se e saiu em direção à favela que circunda o meu bairro. Pois é: o que passa a nosso redor, nos chega por inteiro à nossa imaginação. Eu imaginei : não mais ódio, raiva, vingança, bebedeira: a vida continuará para os dois… e para o seu anjo protetor e para mim, que era mera espectadora de um desencontro amoroso.

É o que eu digo: o que passa, chega.

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