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Sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017.
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Danilo Patrício
Jornalista, doutorando em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)


 

Um Conselheiro Vivo, inscrito e multiplicado nas páginas do tempo
   
O Conselheiro Vivo é um momento construído a partir de Quixeramobim por sujeitos que se unem para realizações da arte e da Cultura. Não em uma visão apartada do cotidiano, mas seguindo pela permanente de formação e na construção de documentos culturais produzidos para o futuro, como legado às gerações. Exposições, livros, discos, vídeos e todo um universo que pode contar e pensar a História pelas artes, ligado à experiência de trabalhadores que têm suas trajetórias de algum modo vinculadas ao imaginário de Antônio Conselheiro, transcendendo o local físico e buscando permanentemente um lugar de realização, fugindo do passadismo e sempre reinventando-se no tempo.

Antônio Conselheiro é uma boa imagem viva para isso no presente. De filho expelido do Quixeramobim do século XIX, passando pela ridicularização e as tentativas de apropriação superficial de governantes que vagamente propalam o nome em palanques e cerimônias. Por que não olhar da organização dos movimentos sociais para esse Lugar amplo, colocando em movimento as potencialidades históricas, buscando Conselheiro na construção de novas conquistas, dentro da sua infinitude de memória apontada pelas artes e pela Cultura?

A Potência dos Lugares - Foi por essa pergunta que seguiu a construção do Conselheiro Vivo 2014, em diálogo com entidades e movimentos sociais desse local onde nasceu Antônio Maciel, na vontade de caminhar com Conselheiro - já de um Brasil, e internacional - para novos Lugares do possível. Foram realizadas várias reuniões com novos atores contemporâneos e forças do movimento social que já participam de construções da cidade, como a Feira da Agricultura Familiar de Quixeramobim, inspiração direta para a "Feira do Belo Monte no Conselheiro Vivo" (ver programação). 

Mais do que ofertar Cultura em uma visão restrita à mercadoria, os encontros partiram de uma matriz esboçada pela ONG Iphanaq (Instituto do Patrimônio de Quixeramobim), dialogando com os movimentos na perspectiva de realizar juntos, ir além da mera atração, apostando na força de desejos ao futuro que imprime a Cultura, pensando o Conselheiro Vivo não só como um evento, mas como um momento importante para novas realizações. 

Em Movimento - Sujeitos sociais como os Feirantes e representações de trabalhadores como os da agricultura, os de jovens e da complexa engrenagem de construção popular da atualidade estão efetivamente juntos participando e realizando o "Conselheiro Vivo 2014". Encontram-se a partir do acontecimento de reforma da Casa Antônio Conselheiro, por parte do Governo do Estado, procurando ultrapassar a visão da edificação, importante, e atingir a dimensão fundamental de um Lugar de Cultura criativo para a população, aberto a novas possibilidades pela arte a Cultura em toda força simbólica que o Lugar de nascimento carrega, a se concretizar, fazendo brotar repertórios para difusão e socialização. 

Confrontar-se com a arte não mais como privilégio de poucos iluminados. Trabalhadores e movimentos sociais partilhando este espaço como lazer e como possibilidade de pensar sobre o mundo, já como ação, de se interrogar, enxergar novos rumos, e nesse caminho também ser produtor de novas Leituras pelo universo da Cultura. O Conselheiro Vivo permite isso através de Mostra de Exposições, Oficinas, Música, Poesia, Lançamento de Livro, Teatro e o grande momento de encontro da 1a Feira do Belo Monte, carregando o nome do lugar vivido por Conselheiro e os habitantes do que passou a ser nomeado de Canudos. Atualizações e criações expandidas e reinventadas nesse espaço que carrega o nascimento. 

O tamanho do possível - O Belo Monte foi uma construído por trabalhadores, na diversidade dos Sertões brasileiros. Pessoas que inventaram e realizaram juntos as u-topias: a do alimento, a da alma e do prazer de estar juntos, partilhando a vida. Um projeto de solidariedade em multidão, destruído após quatro anos pelos poderes da própria oficialidade política brasileira, através de forças como Exército, Igreja, Parlamento, além de atacado por setores como a imprensa. 

Mas a dimensão artística o lançaria ao futuro, a partir principalmente de os Sertões, de Euclides da Cunha, e outras criações que o sucederam, como "A Guerra do Fim do Mundo", do escritor peruano Mario Vargas Lhosa. Outras produções artísticas sobre o tema surgiriam nos mais variados formatos, além da literatura: cinema, fotografia e música, por exemplo. 

A partir de Quixeramobim, os entes históricos de Conselheiro não poderiam excluir-se a essa permanente produção criativa, que vai nascendo no limiar da vida reinscrevendo dores, sonhos, lutas, anseios, como afetividades que se expressam e transitam se expandindo sempre ao outro, falando de cada um e dos modos de se viver em comunidade. Dessa imagem primeira elaborada na 'terra natal', são benditas e atrevidamente apropriados e ressignificados pelos movimentos imaginários como os de solidariedade e justiça social, aos quais nos vinculamos e dele passamos a escrever e viver a História.  

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