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Sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017.
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Ricardo Alcântara
Publicitário, Comunicador, Poeta e Ficcionista


 

Eunício comanda o PMDB como comanda seus negócios
   
Não importa quem será o próximo presidente da República: tudo fará o PMDB para penetrar em seu governo mediante métodos de há muito praticados: a força de sua bancada no congresso será usada para castrar qualquer intenção de moralidade. São regras de pano verde: cargos pra cá, votos pra lá. Fazem uma política de cassino: elegem presidentes do congresso nacional para atuarem como crupiês, distribuindo cartas marcadas e fazendo girar dados viciados. É assim e assim é. A urdidura coloca os termos constitucionais sob pressão permanente, democracia paga ao elevado custo de sua insignificância de fato. Nenhum vestígio de interesse público sobrevive à sua corrosão sem que se pague o soldo. É tudo cash.

Pois o partido tem candidato declarado ao governo do Estado do Ceará. Ele se chama Eunício Oliveira, senador e empresário, não necessariamente nessa ordem. O senador dirige a sessão local da sigla como dirige suas empresas: ele manda, ponto. Não conheço fatos que liguem seu nome a nenhuma impropriedade específica. Sei apenas que comanda o partido ao lado de gente como José Sarney, Romero Jucá e Renan Calheiros e com eles se entende bem. Quem são eles? Vá ao google. Basta.

Será candidato contra um nome indicado pelo governador, mas nunca se ouviu do senador qualquer reserva a seu governo. À sua candidatura, justifica com uma motivação personalista: trata-se de “um sonho”. Seremos seu brinquedinho, então. Para chegar lá, planeja ajuntar ressentimentos daqueles a quem o apetite voraz e o oportunismo sem limite dos Ferreira Gomes fizeram inimigos pessoais onde em qualquer lugar civilizado deveriam estar apenas adversários políticos. Daí, irá arrancar de Lula e Dilma um pacto de neutralidade na disputa local. Digo “arrancar” porque não se trata de persuasão. É uma continha: o senador senta para a conversa com um punhado de votos à mão. É o velho PMDB e seus modos.

Vazio de maior substância – até aqui, apenas fisiologismo ancorado no mérito duvidoso de sua bem recompensada contribuição ao distribuitivismo lulista – o discurso de Eunício Oliveira carece de bons antecedentes. Qual sua causa? Ora, o poder.

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