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Sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017.
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Bruno Paulino
Membro da Academia Quixadaense de Letras. Autor dos livros “Lá nas Marinheiras e outras crônicas” (Imprece, 2012) e “A Menina da Chuva” (Premius, 2013)


 

Um velho gato
   
Dumbledore era o nome do meu velho e aventureiro Gato. Não que ele fosse um dos Thundercats. Mas vivia sempre sujo da alma as patas cinzentas. O bichano não só detestava banho como também não gostava das coisas muito arrumadas, se assim estivessem, ele mesmo as bagunçava: nada que um rasgãozinho na cortina, uns arranhõezinhos nas almofadas, e claro, deixar suas patinhas marcadas no sofá, na cama, no chão recém-lavado da cozinha não resolvessem... 

Dumbledore se achava o galã único da casa, embora seus pelos acinzentados fossem encardidos, seus bigodes quebrados e uma de suas orelhas faltasse um pedaço, de tanto as outras pessoas da casa dizerem que era lindo, acho que realmente ele se convenceu de que era o único, o mais maravilhoso, o mais perfeito de todos os felinos. Mas era também um preguiçoso dos diabos igual a todos os outros gatos, ou pelo menos igual ao Garfild, aquele gato das tirinhas. Dumbledore dormia o dia inteiro – não me lembro de o ter visto alguma vez capturar algum rato - e adorava sair em suas aventuras noturnas, e na maioria das vezes voltava estropiado, como se estivesse numa luta de vale tudo, suspeito que essas aventuras noturnas que se envolvia não eram das mais românticas, por isso acho que realmente ele tinha sete vidas, e todas foram bem vividas até aquele triste dia em que alguém com uma bolinha de carne o envenenou. Não sei o que leva alguém a fazer isso com um gato?

Hoje vi um gato desfilando mansamente pelo muro do quintal, e de repente ele me fitou, e num gesto rápido acenou pra mim como se quisesse apontar ou dizer algo. Na hora gelei na alma. Não sei bem porque, os gatos têm seus mistérios, nos ensina o mestre Allan Poe em Gato Preto. Sei que imediatamente recordei do Dumbledore, o bichano mais legal que eu já tive. Companheiro fiel das horas de nada fazer, e fiquei imaginando que ele deve está lá no outro mundo aprontando das suas nas madrugadas, vagabundeando felinamente, tramando assombros contra quem o envenenou.

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