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Sexta-feira, 24 de março de 2017.
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Ricardo Alcântara
Publicitário, Comunicador, Poeta e Ficcionista


 

MARINA: O DESAFIO DA CLASSE C
   

Costumam dizer que Política é “a arte do possível”. Discordo. A arte do possível é a Economia. A Política é, ou deveria sempre ser, “a arte de provar como possível o que para uma geração condicionada aos limites do seu tempo parecia impossível.”


As propostas de Marina Silva e Rede Sustentabilidade já seriam desconcertantes, por si mesmas, para o convencionalismo dos programas partidários no Brasil, todos eles comprometidos com uma concepção declinante de Desenvolvimento.


Some-se aí a desconcertante conciliação que ela realiza entre uma  compreensão intelectualmente visionária de uma ambientalista antenadíssima com crenças de ordem religiosa que se batem com outros aspectos da agenda contemporânea.


A esse pendor excêntrico, se ajunta agora na disputa eleitoral a eclosão inesperada de uma candidatura cujos compromissos, seja por lealdade pessoal ou imposições conjunturais, desafiam a desenvoltura do discurso original da candidata.


Marina leva, em relação a seus adversários diretos, esta desvantagem: o concerto da candidatura é movediço, até pelas circunstâncias de quem, de início, apenas buscou abrigo de um palanque e, de repente, se viu ela mesma a protagonista.


A recente pesquisa Datafolha colocou isto em evidência: seu potencial está nas ruas. Ali, Marina surge com 21% das indicações sem alterar os percentuais de seus adversários. Havia uma ‘orfandade’ de 1/5 do eleitorado que ela agora acolhe!  

O curso da campanha dirá se entre eleitores de Dilma Rousseff e Aécio Neves há uma parcela em latente desconforto, apta, portanto, a cogitar pela adesão a uma experimentação que recusa a dicotomia surrada entre petistas e tucanos.


E seu desempenho nesse curso de campanha – o posicionamento estratégico de sua comunicação – dirá se, de fato, irão prevalecer, em meio às contradições que moldam sua candidatura, os traços essenciais de sua singularidade.


Em Marina, o que seduz não está muito distante do que afasta. Em Aécio e Dilma, os fatores potenciais de sedução e rejeição são diferenciados. Na candidata da Rede, ao contrário, atrai e afasta os mesmos aspectos de sua expressão.


O que nela inspira confiança – uma levada meio outsider em relação ao execrado modelo de politico profissional  – também pode, se não for habilmente exposto, suscitar insegurança naqueles que mais têm a perder: o cidadão de baixa renda.


A leveza do discurso pela dignificação da Política atrai jovens de boa formação e renda familiar estável. Mas há de convencer ainda sobre coisas que afetam a dimensão rotineira da vida dos mais pobres. Elas querem conforto e segurança.


E é justo neste segmento – o mais numeroso, agora mais esclarecido e cada vez mais exigente – que a mensagem governista penetra com mais vigor, reivindicando a autoria de ações de impacto e vendendo a eles o temor de retrocessos.


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