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Sexta-feira, 26 de maio de 2017.
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Adísia Sá
Jornalista e Professora


 

“Voo sem retorno”
   

“Renata Campos. Viúva consola Marina, recebe pêsames e afasta tristeza…” “Esse negócio de tristeza , aqui não combina. Aqui é força, alegria e coragem”, disse Renata. Cada um reage a tragédias, morte de familiares e amigos, à sua maneira. É o traço de cada um, sua marca psicológica. A dor é única para cada pessoa, mesmo que a razão do sofrimento seja comum. A reação da viúva de Eduardo Campos, ante à trágica morte do marido, quebrou a linha de lágrimas, própria a situações semelhantes. Pelo contrário, recebeu pêsames com sorriso nos lábios e palavras como as transcritas acima.

O quadro me fez lembrar o sepultamento de meu pai, quando amigos , me abraçando, procuravam me consolar e eu, “por favor, a dor é minha, deixem-me vivê-la.” Sei que choquei algumas pessoas, mas era aquele o meu sentimento. Chorei, não contive as lágrimas, fruto de minha dor. Houve quem me oferecesse tranquilizante e recusei, para surpresa de alguns presentes.

Há dores que não têm paliativos, nascem e brotam de situações inusitadas , inclusive ante a presença de desconhecidos. A dor não tem explicação, acontece no momento em que algo nos atinge a alma. Choramos, também, em momentos de alegria, de emoção. Chorei quando meus pais morreram, chorei quando nasceram meus sobrinhos e os tive nos braços e os acalentei. Chorei quando recebi a medalha da Abolição e a Sereia de Ouro. Chorei quando, num encontro de amigos, lembraram meu tempo de aluna do Imaculada Conceição. Chorei quando , após seleção, fui convocada pela Gazeta de Notícias e ingressei e em seus quadros onde fiquei por mais de dez anos.

Lágrima é sinônimo de libertação: dor muito grande é atenuada pelas lágrimas, que levam , quase sempre, a opressão que nos sufoca. Há dores coletivas, onde gente que nunca se viu, cai nos braços de desconhecidos e se deixa levar. A lágrima liberta. Renata consola Marina e recebe pêsames afastando tristeza. Eu penso diferente: a tristeza não se afasta porque a gente quer: se impregna no nosso ser, nos domina, arrebata e liberta. Só depois das lágrimas, dos abraços de amigos, familiares e desconhecidos é que a dor esmaece… enfraquece… Esmaece e enfraquece para retornar depois com força.

Acredito que Renata Campos não vai afastar, talvez nunca, o sofrimento que hoje domina seu coração e essa frase – “Esse negócio de tristeza, aqui não combina. Aqui é força, alegria e coragem” , foi dita para amparar filhos, parentes e amigos submersos na dor do inusitado: o voo sem retorno de Eduardo.


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