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Ricardo Alcântara
Publicitário, Comunicador, Poeta e Ficcionista


 

Petrobras, um espelho na lama
   
Há diferença dinâmica entre uma apuração em que os advogados aconselham suspeitos a dificultar a apuração dos fatos, como se deu no Mensalão, e outro, quando são orientados a fornecer provas qualificadas sob o instituto da delação premiada, como no caso Petrobras. Neste, a dimensão dos fatos e a abundância de detalhes anula as manobras dissimulantes. A militância governista tem se virado como dá. E não tem dado muito certo insistir no recurso rasteiro de desconstruir moralmente os denunciantes da imprensa e da oposição.

Para conter a dispersão do rebanho, o governismo tem sugerido articulações para privatizar a estatal como a inconfessável motivação de fundo de todo o processo que envolveu a empresa, seus dirigentes e fornecedores. Uma conspiração internacional – quanta tolice! Embora frágil, a versão se alimenta de fato concreto: o liberalismo hard sonha em receber o presente. Daí a sugerir o Ministério Público Federal como o ‘amigo secreto’ do Capital para privatizar patrimônios públicos só resulta de uma combinação espúria de interesses.

Privatizar a Petrobras resolve o quê? Nada. A própria apuração indica como seria ingênuo conferir ao setor privado a lisura como fator inerente às suas iniciativas: são empresários, os primeiros presidiários do escândalo. Isto é, são eles a fonte da voracidade predatória. Privatizar resolve outros problemas, não esse. Se o monopólio estatal permite maiores ganhos de escala, entre outras vantagens, sua fragilidade é a inclinação para a ineficiência já que os responsáveis pelo bom desempenho, servidores públicos, não se beneficiam dele.

Produzir bilhões e só ganhar alguns milhares é um convite à corrupção. Diante de um corruptor abonado, um barnabé de carreira se vê vulnerável como uma piaba a centímetros de um tubarão faminto. Primeiro, ele se torna ineficiente e, a seguir, corrupto. É frequente. De empresas, estatais ou privadas, cuidam as pessoas. E gente tem grande capacidade de cooperação quando as saídas de emergência são de ordem coletiva, mas não hesita quando as circunstâncias oferecem condições seguras de tirar vantagens individuais a baixo custo.

Por razões tão evidentes quanto numerosas, privatizar a Petrobras seria péssimo. Nem pensar. Mas a joia da coroa precisa incorporar certos hábitos da iniciativa privada. A principal delas: nomear diretores por critérios de competência e não por indicações políticas. Mas não só. A Petrobras precisa, também, incorporar hábitos saudáveis de empresas estatais de sucesso no mundo desenvolvido, como, por exemplo, alimentar mecanismos mais transparentes de controle, inclusive com a participação de representação social direta.

A Lei, segundo ela mesma, é igual para todos. Assim, o melhor para o país será sempre a rigorosa apuração das responsabilidades. A pele de ‘seu ninguém’ é mais importante do que a confiança da nação na condução dos seus interesses. Quem for podre que se quebre. Contudo, será de maior valia para o interesse comum se de tudo resultar não só o efetivo cumprimento da lei, mas uma remodelagem, parida à dor da lamentável experiência, dos métodos de condução de uma marca que representa mais do que barris de petróleo.

A Petrobras é símbolo de afirmação da capacidade de superação do país diante do seu indesejado subdesenvolvimento. Ela surgiu no exato instante em que o país, enfim, se pôs de pé. É nosso espelho: deve estar limpo para que possamos também nos enxergar assim.

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