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Bruno Paulino
Membro da Academia Quixadaense de Letras. Autor dos livros “Lá nas Marinheiras e outras crônicas” (Imprece, 2012) e “A Menina da Chuva” (Premius, 2013)


 

Luiz Costa Filho e os olhos de saudade
   
          Eu tive o prazer de conhecer o escritor Luiz Costa na festa do padroeiro Santo Antônio do ano de 2012 em vésperas do lançamento do livro "Quixeramobim aos olhos de Luiz Costa Filho", nessa ocasião para minha imensa alegria, ele convidou-me para fazer a apresentação do livro no lançamento que aconteceria dali alguns dias, ainda durante as festividades do Santo, pois era nesse período que costumeiramente Luiz presenteava a comunidade com seus trabalhos – fosse lançamento de algum livro ou apresentação de uma exposição fotográfica.

          Depois desse primeiro contato fiquei muito ligado ao poeta, e sempre que ele vinha à cidade conversávamos muito, principalmente sobre o rico anedotário de causos engraçados da cidade que Luiz era grande conhecedor, e que acabou registrando junto com Ricardo Machado no livro “Lá em Quixeramobim” lançado na década de 80.

            Como poeta Luiz louvava amores ao passado, e a memória do vivido em Quixeramobim sempre foi o mote das histórias versadas por ele em seus livros. Sem, no entanto, cair no pieguismo de não enxergar no futuro, usando uma linguagem anímica, o canto de Luiz Costa no livro “Quixeramobim dos meus tempos’’ de 1997 é um convite ao viajar por entre páginas até os lugares desse passado para encontrar com pessoas simples do povo e ter com elas, ali no meio da rua mesmo, dois dedos de prosa agradável. 

          “Ah Quixeramobim!” é com essa exclamação saudosa suspirada  que o prosador evoca sua musa no livro "Quixeramobim aos olhos de Luiz Costa Filho" de 2012. Talvez tivesse ele saudade do menino que foi - sempre ao lado de seu irmão Benjamin. Menino travesso do jogo de bola nos campos de poeira da “Coreia” e do “Prado”. Menino que era apreciador do banho de rio, da beira do rio, lá nas marinheiras, de tanta poesia, onde ia matar passarinhos. Menino ouvinte assíduo da “Voz de Cristal” do Fenêlon Camâra, menino frequentador do Quixeramobim Clube que considerava ser a época a extensão de sua casa. E Luiz Costa parece que não parava em casa! – residência onde antes nasceu Antônio Conselheiro, filho mais ilustre da cidade, e onde também o arquiteto e compositor Fausto Nilo, irmão de Luiz Costa, foi criado.

            A verdade é que o poeta Luiz Costa nos presenteou tanto no verso quanta na prosa com arguta minúcia as estruturas das principais ruas e espaços públicos do Quixeramobim em que viveu a infância. Mas invejável mesmo, para quem com ele conviveu era a lembrança que o poeta tinha para com o nome e a fisionomia das pessoas que deram vida a esses lugares. Luiz escreveu tudo com a tinta da saudade, tinta que não se apaga fácil, que se fortalece com o passar do tempo, porque parafraseando Guimarães Rosa o que se lembra, se tem. E Luiz Costa tinha tudo isso.

            Em 2014, apesar de já debilitado pela doença, Luiz arranjou forças para organizar as cartas que seu tio José Frutuoso Sobrinho enviava à sua mãe, Hilda Costa, da cidade de Colinas no Maranhão, resultando esse esforço no belíssimo livro “Cartas de Saudade e Crônicas do Dia a Dia”.

          Foi assim que Luiz Costa enriqueceu consideravelmente a história de Quixeramobim ao dar seu testemunho amoroso e comovido através dos livros que escreveu sobre aquela então cidade pequenina - isolada no meio do sertão, banhada por um longo rio - onde as pessoas esperavam as novidades estrangeiras que vinham de trem. Suspeito que já nessa época, o então menino Luiz Costa, não fosse tão afeito as novidades, suspeito que já tivesse os olhos de saudade.

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