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Bruno Paulino
Membro da Academia Quixadaense de Letras. Autor dos livros “Lá nas Marinheiras e outras crônicas” (Imprece, 2012) e “A Menina da Chuva” (Premius, 2013)


 

Saraiva Júnior e o Telurismo das histórias
   
Foi numa daquelas bancas de revistas que ficam ali no centro de Quixadá que eu me deparei com “Temporal e outros contos” (2000) livro de estreia do escritor Saraiva Júnior. Comprei e li entusiasmado. Gostei muito das narrativas. Depois mantive contato com o autor pelo telefone quando idealizava junto com alguns amigos um evento de literário para o Sertão Central, daí trocamos algumas correspondências e emails, enfim, fomos firmando amizade. 

Saraiva Júnior nasceu em Senador Pompeu, e é deveras um apaixonado pela região central do Ceará, mas hoje reside em Fortaleza, por conta de seu exercício profissional como auditor fiscal do trabalho. E assim explica suas origens: “Minha família Saraiva Leão é de Quixeramobim, onde fui advogado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais no início dos anos oitenta. E, como funcionário público do Ministério do Trabalho, morei em Quixadá por vinte anos. Minhas raízes estão plantadas no torrão dessas queridas cidades. Tenho muito orgulho das amizades sinceras que fiz por aí”. Dentre essas amizades, o escritor relembra e destaca a figura do quixeramobiense Jorge Simão que inclusive homenageou em crônica no livro “O Olhar dos Humilhados” (2012). Para o escritor “O Jorge Simão era um visionário, um poeta e um gênio. Estava à frente de sua geração. Era um homem para ser pesquisado em Quixeramobim.”

De espírito telúrico e saudoso, Saraiva Júnior ainda escreveu ‘’Senador Pompeu em Crônicas’’ (2004) com a intenção de contar a história social, econômica e política da cidade através de pequenos perfis biográficos de seus personagens. E ainda explica que outro objetivo em trazer a luz o livro seria que toda cidade do interior pudesse, ao se espelhar em seu livro, contar também sua história.

Sendo conterrâneo do grande contista Moreira Campos era quase inevitável que Saraiva Júnior fosse influenciado pelo autor de clássicos cearenses como ‘’Dizem que os cães veem coisas’’. E foi justamente isso o que acabou acontecendo. Ele explica que primeiro conheceu alguns contos: O Puxador de Terço, As Vozes do Morto, Os Doze Parafusos, entre outros. E depois teve a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente: “Fui, sem dúvida, muito influenciado pela obra dele. Suas histórias, sua forma de narrar, o ambiente social, político e psicológico em que se encontravam seus personagens, tudo sob uma ótica ligada ao nordeste, enfim, a escrita de Moreira Campos me deixou maravilhado. E logo pensei: era isso que estava me faltando. Assim, passei a ler toda a obra desse grande escritor.’’

Apaixonado por futebol, e de certo modo indignado com o descaso pela memória dos nossos craques que fizeram história em terras alencarinas Saraiva resolveu escrever a biografia “Mozart: Uma Trajetória Inquieta no Futebol” (2013) sobre o desportista que brilhou nos times do Ceará e do Fortaleza. E já está trabalhando na conclusão de um novo trabalho sobre outro de nossos ícones futebolísticos: “Estou escrevendo a biografia do festejado artilheiro Pacoti, filho de Quixadá. Pacoti esbanjou seu futebol pelo Ferroviário (Ceará), Sport (Pernambuco), Vasco da Gama (Rio de Janeiro) e Sporting de Lisboa (Portugal). Precisamos conhecer os nossos heróis. Mozart e Pacoti fizeram história e são nossos heróis. É uma pena que muitos jovens conhecem a história de jogadores de outros estados e países e, no entanto, desconhecem a história de nossos craques e goleadores. Gosto do lado 'b' da nossa história, muitas vezes mais rica do que a oficial, com “h” maiúsculo.”

Assin sendo, sobre a literatura de Saraiva Júnior gostaríamos de reiterar as palavras do poeta e critico cearense Dimas Macedo no artigo “Peregrinos de Deus’’ publicado no livro “A Letra e o Discurso’’(2006) de que: “O que caracteriza esses livros de Saraiva Júnior é a paixão pela autenticidade e a verossimilhança dos relatos que nos traz em forma de arte literária. Existe neles uma compulsão pelo testemunho, pelo regaste da memória atávica, pela saga e pelo heroísmo de suas personagens”.  Enfim, são as forças da vida e da terra que vibram nas letras de Saraiva Júnior.

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