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Bruno Paulino
Membro da Academia Quixadaense de Letras. Autor dos livros “Lá nas Marinheiras e outras crônicas” (Imprece, 2012) e “A Menina da Chuva” (Premius, 2013)


 

O Poeta Diogo Fontenelle e o Quixeramobim em Fotolembrança
   
O fortalezense Diogo Fontenelle é sem dúvida um dos melhores poetas cearenses em atividade, sendo bastante reverenciado por seus pares. Além de versejar, o vate é também sociólogo e dentista. Já faz alguns dias que ele me enviou os livros Miragens (2016) e Encantares (2016) que recentemente publicou. Eu acabei lendo os dois em um único dia, de um fôlego só, como se costuma dizer. E grande foi minha alegria ao me deparar com o bloco de poemas Quixeramobim em Fotolembraça, que compõem o volume Encantares (2016) em homenagem a cidade coração do Ceará.

 Segundo o poeta me explicou num bate-papo, o livro Encantares (2016) “abraça uma vertente a desaguar no encantar dos lugares”. Nisso ele acaba esboçando uma leitura afetiva das diferentes geografias e afetos que marcaram sua alma cigana, seu “labirintear” de viajante. Tendo vindo a Quixeramobim três vezes no final da década de 80 para ministrar oficinas de poesia a professores, Diogo destacou que à cidade revelou-se de imediato como “um lugar especialíssimo, a partir do clima seco a soprar ventos saharinos”. E confessando-se como um amante das pedras bonitas do lugar, contou: “desde sempre fui enamorado por rochas de toda ordem. Guardo sempre comigo um anel de berilo azul que eu adotei em Berilândia, ou seja, nas periferias rurais de Quixeramobim”.

Fontenelle também relembrou saudoso, a figura do museólogo Jorge Simão e à tarde de conversa que com ele passou: “Era uma casa-museu plena de surpresas, mistérios em cada recanto. As paredes ostentavam desenhos de naves extraterrestres, símbolos mágicos de civilizações perdidas. Mais que apresentar os objetos raros, como o fragmento de uma outra lua da Terra que se desintegrou, Jorge Simão nos conduziu por suas narrativas de vivências (vidências?) pelos Aléns”. Foi inspirado nesse episódio que o poeta criou os versinhos:

Museu de Jorge Simão

Vale de Mistério, vale de Paixão
Vela do tempo, voz de Jorge Simão.

Além do misticismo de Jorge Simão e do aspecto rochoso da cidade, a matriz de Santo Antonio tocou na sensibilidade do poeta. “Meu nome é Antonio Diogo Fontenelle em honra ao Santo português-italiano. Minha mãe, em sua devoção por Santo Antônio, ensinou-me a cultuar o carisma do Santo Antoninho tão adorado pelas trilhas encantatórias do Nordeste Brasileiro”, explica. E, nisso o artista louvou a matriz e o santo:

Matriz

Dobram os sinos da matriz,
Santo Antônio está em festa,
Descem os anjos em seresta:
Quixeramobim dorme feliz.

Vale sublinhar que Quixeramobim o encantou, sobretudo, por sua gente “tecelã de tantas histórias urdidas entre realidade, sonho, e faz-de-conta”, diz. “São vultos de raras fulgurações como Antônio Conselheiro, Dona Guidinha do Poço, Jorge Simão, e Fausto Nilo, entre outros menos conhecidos, mas não menos mágicos”, ressaltou com entusiasmo. E assim homenageou Guidinha do Poço, Antônio Conselheiro e Fausto Nilo nos poemas:

Casa de Câmara

Guidinha do Poço, Dona Marica Lessa
Acorde em Festa, viaje sem pressa
Casa de Câmara, teu sonhar não cessa.

Casa de Antônio Conselheiro
 
Berço do Conselheiro
Barco do Fausto Nilo
Coração de cancioneiro
Sonho que tamborilo.

Por fim, perguntei para Diogo Fontenelle o que significava ser poeta? E ele com a sensibilidade sempre à flor da pele, prontamente respondeu: “Ser poeta é o celebrar a vida à luz do olhar para o Alto, para as nuvens, para a lua e as estrelas. Ser Poeta é o abrir janelas pelas paredes cinzentas do Cotidiano. Ser Poeta é ser um Crente acima de tudo, é crer no Invisível aos olhos, é crer na Infância em eterno reflorir, é crer no azular do Amanhã, é crer que a vida é um milagre - é a presença de Deus!”.

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