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19/08/2015
Minha segunda expedição a Canudos e ao sertão baiano

No último dia 07 de agosto o historiador Neto Camorim apresentou na Casa de Antonio Conselheiro um relato de sua segunda expedição a Canudos e ao sertão baiano no 53º Papo Cultural. Além do bate papo sobre a viagem, o historiador mostrou algumas fotos dos percursos por onde andou.

A seguir um breve relato realizado pelo historiador Neto Camorim de suas andanças pelo sertão baiano.

Minha segunda expedição a Canudos e ao sertão baiano
Pelo segundo ano consecutivo no período de minhas férias visito os sertões da Canudos e região vizinho do nordeste baiano. Este ano a viagem aconteceu de 16 a 29 de julho. Foram dias intensos de muito aprendizado, reencontros, novas amizades, pesquisas e lazer, pois ninguém é de ferro. É bom lembrar que eu estava de férias e precisava também aproveitar esses momentos nessa terra mística, encantadora e acolhedora que é Canudos.

Essa segunda expedição em solo baiano iniciou no dia 16 de julho em Juazeiro da Bahia de onde seguindo por Pilar, Uauá e Bendegó cheguei a Canudos por volta das 20:45. Noite de clima agradável com aquele friozinho, fui caminhando para a casa de Dona Bebé, sentindo emoção e alegria de está novamente nesta terra. Dona Bebé é uma senhora na qual nos tornamos amigos e que nos acolhe todo ano em sua casa nos dias da romaria e que, desde ano passado, sou hóspede em sua residência durante minha viagem nesse período de férias. Foi uma alegria imensa lhe reencontrar. No outro dia bem cedo fomos à feira na praça central da cidade.

Nos dias 17 e 18 de julho fiquei em Canudos e participei das atividades do centenário de nascimento de José Calasans. Um dos historiadores que mais contribuiu com suas pesquisas para a compreensão da história da Guerra de Canudos, Antônio Conselheiro e seus seguidores. Foram algo em torno de 50 anos de dedicação aos estudos sobre Canudos, interrompidos em 2001 quando veio a falecer, mas que deixou uma vasta contribuição enquanto professor e pesquisador.

A expedição Calasans a Canudos é parte da programação do centenário que compreendeu as seguintes atividades: 17 de julho às 16h- recepção no memorial Antônio Conselheiro – UNEB a comitiva de pesquisadores, escritores, poetas, cineastas e conselheiristas diversos que vieram de Salvador, Aracaju e cidades vizinhas que vieram participar do evento; às 20h- sessão solene na Câmara de Vereadores de Canudos em homenagem a José Calasans, com a presença dessa comitiva, vereadores e o prefeito de Canudos, Madalena, filha de Calasans e o público em geral. Em seguida apresentação musical com Fábio Paz.

No sábado dia 18 a programação começou por voltas às 8h com a exibição do documentário de Claude Santos sobre a memória de Canudos, às 9h, visita ao Parque Estadual de Canudos, com inauguração do cenário “Os Memorialistas”, 15h – Mesa Redonda no pátio do memorial, no qual tive oportunidade de participar realizando intervenções, e as 20h:30min- Apresentação da Companhia de Teatro de Canudos.

Foram dois dias de muito aprendizado e troca de experiências na perspectiva de uma maior integração Quixeramobim x Canudos no contexto atual tendo como referência os percursos de Conselheiro.
No domingo dia 19, acompanhado do amigo Zé Raimundo (Carapina) fui conhecer a Serra do Cambaio e Lagoa do Sangue, locais no qual aconteceram conflitos na segunda expedição da Guerra de Canudos. A Serra do Cambaio de fato, é um local estratégico com trincheiras naturais e outras construídas pelos jagunços para atacar as tropas militares que vinham de Monte Santo pela estrada de Uauá. Sem contar com a visão privilegiada que os conselheiristas tinham, tanto dos soldados que vinham pela estrada de Uauá, bem como acenar para Canudos quando de alguma ameaça. Da Serra do Cambaio avistava-se Canudos. Pena que esses locais sejam em propriedades particulares, sem sinalização ou trilhas para visitação do público interessado. O acesso ao Cambaio atualmente está difícil. Mesmo assim fui, pois queria realizar esse desejo e de fato a visão estando lá é muito bonita.

Descendo da Serra do Cambaio fui conhecer a Lagoa do Sangue logo ali nas proximidades. Local de combate entre os seguidores de Conselheiro e as tropas do exército. Lá tem um marco simbolizando esse episódio.

De volta para Canudos, passei em Bendegó em busca de notícias do meu amigo Manuel Travessa e para minha surpresa ao chegar a seu restaurante fui informado que ele não estava mais por lá. Encontra-se doente, ficando na sua residência na Canudos Velha, onde se encontra o museu que ele organizou. Lamentei bastante não ter ido visitar o amigo.

Seguindo viagem de Bendegó a Canudos passei pela Umburana. Visitei a casa onde nasceu João de Régis, cidadão de Canudos e brilhante memorialista da história do seu povo. Atravessando o rio das Umburanas fui ao local onde supostamente tenha sido enterrado Moreira César, o famoso “corta cabeça” do exército brasileiro que tanto queria almoçar em Canudos e morreu em combate.

Terminei minhas visitas no domingo deliciando um bode assado no restaurante de Dona Terezinha na praça central de Canudos, espaço onde acontece a feira toda sexta-feira.

Na segunda feira, 20, fui conhecer Jeremoabo, que está localizada há 96 km de Canudos em direção a Sergipe, local de onde partiu a tropa do General Sarvaget na quarta expedição para destruir Canudos. No percurso passei por Canché e Água Branca, comunidades a margem do rio Vaza Barris, locais onde possivelmente tenham passado as tropas em direção a Canudos em 1997.

Na terça, 21, segui bem cedo para Euclides da Cunha, onde lá estava me esperando o amigo Carlos Carneiro para seguir viagem em meu percurso pelo sertão baiano. Como o mesmo devido ao trabalho não pôde me acompanhar, designou nossa amiga Simone, que já conhecia desde ano passado, para cumprir essa missão, no qual fiquei muito grato pela sua disponibilidade e gentileza de viajar comigo para Tucano, Pombal e Cícero Dantas, antigo Bom Conselho, local no qual Conselheiro ajudou a construir a Igreja de Nossa Senhora do Bom Conselho, padroeira da cidade, no qual tive a alegria de conhecer. Todos esses lugares foram caminhos de peregrinações de Antonio Conselheiro em solos baianos. Ainda tem outros lugares que ainda falta visitar e quero fazer em breve nas próximas férias.

Para terminar o dia antes de retornar para Euclides da Cunha, fui conhecer Caldas do Jorro, distrito de Tucano, um balneário turístico que recebe diariamente muitos visitantes em busca de suas águas quentes que jorram ininterruptamente, pois foram perfuradas com 1861 metros de profundidades quando em 1949 os estrangeiros faziam pesquisa pela região em busca de petróleo. Lamento não ter levado acessório de banho, espero voltar para aproveitar esse espaço agradável de lazer do sertão baiano.

Na quarta-feira 22, eu e o amigo Carlos Carneiro fomos rever a nossa amiga Lyra e sua mãe Ana em Monte Santo, cidade que tenho muita admiração, pois me transmite uma paz e alegria sem explicação. Dessa vez não subi monte do santuário da Santa Cruz, mas aproveitei para revisitar alguns espaços da cidade como a Igreja Matriz, praça central onde tem a estátua de Conselheiro, uma réplica do canhão da guerra de Canudos e alguns casarões que ainda resistem no centro histórico da cidade. Visitei o espaço artesanal no centro da cidade e conheci o poeta José de Jesus Ferreira, o Zé Poeta, que me passou muitas informações sobre minhas próximas viagens que pretendo fazer pelo sertão baiano. E claro, não poderia deixar de comer um bode assado da Churrascaria Terraço, mas dessa vez levei o bode para a casa de nossa amiga Lyra que nos ofertou um gostoso almoço, além de uma amostra grátis de seu trabalho de massoterapia. Muito relaxante, aliviando o estresse do dia a dia, eu recomendo. Só lamentei a amiga Cristiane Lima não estar em Monte Santo, mas compreendo sua ausência.

Na quinta, 23 de julho, depois de um dia chuvoso em Euclides seguimos eu e Carlos Carneiro para o povoado de Maceté, para rever os amigos e participar da reunião do coletivo de jovens daquela comunidade. Agradeço a hospitalidade de todos, além do cuscuz servido na escola após a reunião e o café da manhã de sexta-feira na casa de Marília com pão produzido na padaria de seu pai, foi maravilhoso. É sempre uma alegria voltar a Maceté, pois foi de lá depois do fogo do Viana que em maio de 1893 que Conselheiro e seu grupo seguiram para Canudos e lá instalou em junho do mesmo ano o Belo Monte.

Retornei para Euclides da Cunha na sexta-feira, 24, para prestigiar o espetáculo “Sonho de um palhaço” dirigido pelo amigo Carlos Carneiro que estava competindo na mostra euclidiana de teatro, onde ganhou na categoria de melhor ator. Além de aproveitar a noite fria de Euclides com os amigos na praça principal da cidade. No dia seguinte retornei para Canudos ao meio dia, para no fim de semana visitar alguns amigos e comer um bode assado no Mirante do Conselheiro na companhia do Poeta Zé Américo.

Na segunda-feira, 27, passei o dia na Toca, local da roça de Dona Bebé nas proximidades da Toca das Araras que ainda não conheço, mas ainda desejo visitar. Na terça feira, 28, realizamos contatos e articulações para a Romaria de Canudos que este ano terá uma maior representatividade de Quixeramobim. E no dia seguinte, 29, bem cedo às 5h da manhã deixei Canudos em direção a Quixeramobim.

No próximo ano na terceira expedição desejo conhecer outros percursos do Conselheiro: Itapicuru de Cima, Crisópolis, Cipó, Nova Soure, Olindina, Aporá e Alagoinhas. Estes devem ser meu destino no sertão baiano nas minhas próximas andanças pela região. Até a próxima expedição!

Neto Camorim-Historiador e Integrante da Ong. Iphanaq.
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