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06/11/2015
De repente o sangue virou água

Já se passaram 118 anos desde o massacre geral de Canudos. Mas é impossível visitá-lo sem sentir revolta e tristeza. Por mais que sua gente seja alegre, simpática e receptiva, Canudos ainda é uma chaga aberta. Sua história é tão viva que parece que o tempo não passou.

Os rostos alegres recebem os turistas com satisfação e intimidade, e logo faz lembrar o antigo arraial de Belo Monte que recebia todos sem fazer distinção de cor, raça ou classe social.

O amor envolvido em torno da figura do Conselheiro ainda permanece místico. Crianças, jovens e adultos procuram de muitas formas lhe terem como exemplo de superação. Como um homem simples do que saiu de Quixeramobim, sertão do Ceará, e conseguiu rapidamente fundar o que viria ser a segunda maior cidade baiana?

Não há nenhuma resposta extraordinária para explicar o crescimento rápido de Canudos. Basta somente ter noção da mega exploração vivida pelo povo sertanejo nas mãos dos grandes coronéis com seus currais eleitorais, no período de ouro da oligarquia nordestina.

Os guerrilheiros sagazes, análogo aos vietgongs ou simplesmente titãs como denominou Euclides, não era nada mais de que pessoas miseráveis e abandonados à própria sorte que encontraram em Canudos um “oásis” no meio da miséria e escravidão.

Embora pareça irônico, Canudos continua a coexistir em uma época onde o neoliberalismo impera, andando em ritmo lento, semelhante ao da Rússia pós-socialismo, sem condições de se readaptar ao modelo econômico, pois carregam o rótulo de já terem sido acusados de “comunistas”.

Por traz do sorriso e da receptividade dos conselheiristas, existe uma mágoa que nunca será curada. Pois é humilhante lembrar que a segunda maior cidade baiana foi reduzida ao pó, simplesmente por promover uma desigualdade nas relações político-sociais.

O lugar onde ocorreram os conflitos sangrentos é preservado. Ao pisar no solo deste, tem-se uma emoção quase sobrenatural. A imagem do sertanejo “Hércules-Quasimodo” logo ganha espaço na mente, a figura aparentemente frágil e desprovida de estética corporal rapidamente surge. E quando isso ocorre é necessário ter muita coragem para continuar explorando a região.

De repente o sangue virou água. O local da cidade histórica é recoberto pelas águas do açude Cocorobó, construído ironicamente para levar e esconder o sangue derramado no chão. Quando o volume das águas diminui, as ruínas surgem, a cúpula da igreja reaparece, dando ao local uma atmosfera filosófica.

Um povo persistente que reconstruiu uma cidade por três vezes e não abandonou o lugar onde ficou cravado à tragédia, que não praticada por nenhuma catástrofe natural como a de Pompeia, mas sim por um sistema político que foi criado sob os pilares da democracia representativa.

Portanto, por mais que a ferida ainda esteja aberta e seu povo ainda não esteja recuperado do bloqueio econômico imposto pela república, Canudos é um espaço de reflexão, um retiro para a mente daqueles que desejam conhecer as ruínas de uma guerra civil equivocada, e um povo que no meio do esquecimento e da dívida não paga pela destruição e o morticínio de sua gente.

Ruth dos Santos – Estudante do 3º ano EM – Liceu de Quixeramobim e visitante de Canudos pela primeira vez na Romaria de 2015.
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1 Comentário

por Romulo Filho, em 13 de Janeiro de 2016 as 11:15

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