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03/11/2008
Um ano d’Os Sertões na Terra de Antonio Conselheiro

“E o sol rodando vermelho... E o sol pregado no azul... E o sol rodando no céu... E o sol suspenso no ar!...” Depois de um ano da vinda daquela trupe encabeçada por José Celso Martinez Corrêa, o sol na Terra de Conselheiro continua rodando, rodando, rodando... Como se procurasse um pouso nessa terra quase ignota ainda. Todos aqueles corpos nus proliferando, germinando, fazendo brotar nessas paragens um sentimento desconhecido pelos que habitam Quixeramobim incendiaram muitas cabeças fazendo com que um fogo cobrisse a cidade espalhando fumaça pelos arredores.

Um ano atrás o sertão de Antonio virava mar, como ele havia profetizado; mar de poesia, mar de sons e imagens, cenas jamais vistas por aqui, mar de fogo. “Salitre, pólvora. Enxofre, chumbo. O banquete da terra. Teatro do céu. Diz aí quem vem lá. O velho soldado. O que traz no seu peito? A vida e a morte. E o que traz na cabeça? A matadeira. E o que veio falar? Fogo!” Críticas em línguas afiadas cruzavam ruas e becos por toda Quixeramobim. Parecia que as chamas permaneceriam acesas e linguarudas por muito tempo e além do miolo do vulcão atraindo outras chamas e alcançando as estrelas para que caíssem nessas terras.

O berço do herói dessa epopéia viveu intensamente cinco dias, não só de críticas, mas também de brilho, ousadia, estrelato e, principalmente, cinco dias vivendo o que tem de mais bonito e essencial na expressão artística e cultural. Cinco dias que não nos voltarão e que deles só resta saudade, nostalgia. “Guerra altera a terra nada será como antes...” Era o que se pensava e se dizia: Quixeramobim não será a mesma depois de Os Sertões de Zé. Mas se percebe que depois de um ano, mesmo com tanto fogo de um lado e água do outro nada se alterou nesta terra; é como se todas as águas faladas vencessem o fogo tão grande outrora. “Tanta água que meu boi nadou”, que o fogo apagou.

Teria sido muito bom e proveitoso se a chama d’Os Sertões permanecesse acesa proliferando, germinando, fazendo com que Conselheiro voltasse à sua Terra-Mãe e jamais fosse tirado dos braços dela. “Foi nos braços de mamãe, pra ela me acarinhar, apareça valentão, para me tirar de lá, nos braços dela eu vou morar...” Antonio foi expulso uma vez de seu berço para percorrer sertões adentro em busca da terra prometida que ele mesmo fez. Cento e dez anos depois ele volta pra trazer mais liberdade de pensamento e expressão, idéias novas, conhecimento, arte e cultura pra seu povo. No entanto é ignorado mais uma vez. Ignorado porque depois de um ano nada foi feito pelos órgãos competentes para que se fincasse aqui algo de concreto fazendo com que se tornasse viva a história de nosso herói maior, contribuindo assim para o engrandecimento artístico-cultural local.

Oficinas de teatro, debates, estudos em grupos, palestras, saraus, e outras apresentaçãoes poderiam ser feitas com o apoio de orgãos públicos competentes. Até mesmo ser implantada no currículo das escolas municipais a disciplina de História de Quixeramobim e Antonio Conselheiro. Mas nos parece que até o prédio de concreto que leva o nome de “Memorial Antonio Conselheiro” só existe nas memórias de poucos. O que se dirá então do próprio Antonio?...

Conselheiro não era messiânico, embora a História o rotule como tal, ele não esperava por dias melhores, pela terra prometida; ele fez acontecer, fez-se construir sua terra e de seu povo através de sua luta, causando rebuliço na então República. Será que hoje causaria desassossego fazer algo que tornasse viva a memória de Antonio fazendo com que seu povo o conhecesse? “A força recuou, ninguém sabe bem por que, por medo não encarou ou viu o que ninguém vê?” Toda aquela força e energia trazida pelo teatro “antropoforgíaco” d’Os Sertões de Zé aos sertões de Conselheiro parece ainda está sob a sombra duma favela como o soldado morto vivo Alferes Wanderley.

Acabaram-se os cinco dias de ópera carnavalesca, Zé se foi com sua trupe e com ele foi também o Antonio pródigo que parecia estar voltando à sua terra. “Adeus Homem! O que sobrou, vai à Luta!” À luta pela memória viva de Antonio, pelo seu não esquecimento, para que ele não vague novamente fugindo de sua cidade onde hoje tanto se fala em progresso, amor e ordem... À luta para que ser-estejamos juntos com ele gerações e mais gerações... “Material dos ventos, ventre / saudade do futuro-passado, no presente / subsolo vazando o desejo / serestando sertanejo / despedaçando cada pedaço / juntando novo, no novo abraço. Ah! Sertão / Tão sem ser / Sertão / Rocha Viva / Voando, ando / Ser estando, ser estando... Ser estando... Tão sem ser...” Ainda resta em alguns saudade e boas lembranças daquele Ser-Tão de Zé.

Postado por: João Paulo Barbosa da Silva – joaopaulobs@hotmail.com - Professor nas Escolas Assis Bezerra e Liceu de Quixeramobim e membro do IPHANAQ.

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1 Comentário

por Danilo, em 18 de Novembro de 2008 as 16:03
Caro João Paulo, parabéns pelo texto. Espero que a lembrança dessa passagem anime as forças para as realizações em Quixeramobim ligadas à arte. Ainda que em menores proporções, coisas que movimentam e permanecem. Ações de homens e mulheres, independente dos "apoios" quase sempre trabalhosos. Vocês próprios são os que mais podem! Danilo Patrício

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