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20/11/2008
Igualdade racial

Como educador e historiador, tenho contribuído, apesar da resistência de muitos e apoio de poucos dos meus pares, para a implantação da Lei 10.639, que trata da obrigatoriedade nas escolas de ensino fundamental e médio de todo o país, públicas ou particulares, do ensino sobre História e Cultura Afro-brasileira.

Sabemos que para essa lei ter mais resultados e avançar em busca de uma sociedade com mais igualdade racial, não será uma tarefa fácil. Já se passaram cinco anos desde a sua implantação, e pouca coisa foi feita. Muitos estados da federação agora é que estão começando a discutir com os professores nos planejamentos, e de maneira muito tímida. Inclusive aqui no Ceará, onde muitos ainda afirmam erroneamente que o nosso estado não possui negros. Um grande erro histórico.

Toda a nossa história de dominação elitista nesses mais de quinhentos anos de presença européia em nossa terra foi de negação, desrespeito e violência à cultura e ao povo negro que veio da África para o Brasil. Jogado nos porões dos navios e tratados como mercadorias, essa gente ao chegar nessa terra tinha que se adequar a uma realidade totalmente adversa, onde nem sequer nas senzalas, após um dia exaustivo de trabalho, poderiam expressar suas tradições culturais, seus deuses e crenças diversas na sua originalidade. Eram vistos como pecadores, filhos do maligno, e que tinham de trabalhar muito para obter a salvação. Coisas da ideologia católica praticada e dos senhores de engenhos do Brasil colonial, que ainda permanece em nossos dias, apesar de algumas mudanças substanciais. Mas é bom não esquecer que a cultura do branqueamento ainda reina.

Ser negro no Brasil é trazer todas as marcas da escravidão. Mesmo após 120 anos da abolição, não temos em nosso país políticas públicas que garantam a essas populações os direitos e garantias constitucionais com igualdade para todos, como a lei determina. Só a partir de 2003 é que essas discussões sobre políticas afirmativas começaram a acontecer, mesmo que de maneira pouco abrangente e com muita resistência de setores dominantes de nossa sociedade.

Mas apesar de tanto sofrimento e dor no decorrer da história, o povo negro não desistiu. Ele é fruto da resistência dos que morreram em prol da liberdade tão sonhada e da igualdade e justiça tão almejada na construção da cidadania. Os nossos heróis negros do passado (Zumbi, Dandara, Aleijadinho, João Cândido, Grande Otelo, Milton Santos) e os que lutam ainda hoje, constituem nossa fortaleza em busca do respeito e da igualdade que tanto sonhamos em construir nessa sociedade plural e mestiça que somos, mas que igualitariamente não usufruímos. Valorizamos a mestiçagem muitas vezes com o intuito de negar os direitos dos afrodescendentes, e não como princípio democrático que merecemos.

Precisamos sonhar e ousar mais, diante dos desafios que a vida e a história nos colocam. Ainda ocupando a condição de maior número de analfabetos de nosso país, os negros têm que lutar por maiores investimentos em educação, pois só com mais conhecimentos podem ocupar o espaço que merecem, e ter a consciência ampla dos direitos, com mais respeito e dignidade. Somos a segunda maior população negra do mundo e temos questões históricas e urgentes que precisam avançar para que a condição negra possua maior visibilidade aos negros.

Durante cinco séculos fomos renegados na história, sem vez nem voz. Recentemente os Estados Unidos da América mostraram ao mundo algo que nunca tinha acontecido naquele país: a eleição de um negro para a presidência da república. Claro que o preconceito e o racismo não acabaram naquele país, mas o simbolismo que Barak Obama representa como o primeiro negro a morar na Casa Branca mostra o quanto é importante a luta contra as desigualdades sociais e raciais nesse planeta. Apesar dele nem citar em seus discursos a questão racial, não tem como esconder suas origens africanas e muçulmanas, mesmo sendo um negro de classe média, criado no Hawaí.

Esperamos que seu governo, mesmo que timidamente, aponte caminhos para diminuir o preconceito e o racismo no mundo, e que o sonho de Martin Luther King se concretize após 50 anos. E a liberdade tão sonhada para o povo negro caminhe a passos mais largos nesse século XXI.

Tenho esperança de que o povo negro no Brasil e no mundo poderá, através da educação e da cultura, ser mais cidadão e mais consciente de seus direitos. E que o vinte de novembro, quando se “lembra” a Consciência Negra, não seja apenas mais uma data para relembrar a morte de Zumbi, mas que toda a sua história de luta pela liberdade e igualdade para o povo negro seja constante em nossas atitudes todos os dias, pois o sonho e a luta pela igualdade, sim! é possível!

As “repentinas” mudanças pós-eleitorais

Com menos de um mês após as eleições já percebemos várias mudanças na administração municipal de Quixeramobim.

Logo de imediato começou o processo de enxugamento da folha, com redução da carga horária dos prestadores de serviços. Quem tinha 4 horas diárias ficou com duas, e quem tinha 8 horas foi reduzida para 4 horas. Começou a faltar combustível e transporte para conduzir os professores do ensino médio de São Miguel, só para ficar em alguns exemplos. E tudo é usado como justificativa de adequação às prestações de contas à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A Lei exige esse rigor na sua aplicação todos os meses e não apenas no final de gestões.

Todo aquele estardalhaço de uma “gestão eficiente” apresentado durante a campanha eleitoral, parece que não é bem assim. Um governo que ganhou sucessivos prêmios durante os quatro anos e foi sempre escolhido entre os melhores prefeitos do Ceará, ganhando “Palma de Ouro” na educação não deveria estar passando por essa situação. Tudo indica que existe “maquiagem” nesses resultados. Bem que gostaria de ser convencido de quais critérios são levados em consideração na escolha dessas “melhores administrações”.

A fiscalização da CGU em Quixeramobim.


Até o início do mês de novembro encontrei escola municipal onde alguns alunos sentavam no chão por falta de cadeiras. Só foi o município ser sorteado para ser fiscalizado pela Controladoria Geral da União (CGU), órgão que fiscaliza a aplicação dos recursos federais, para imediatamente, na minha grata surpresa, aparecerem cadeiras para todos os alunos e alguns ventiladores funcionado nas salas de aula. Portanto, uma pequena melhoria que contribui para um melhor rendimento escolar. Espero que após a fiscalização não volte a ser como era antes. Quando os governantes querem geralmente as coisas acontecem. Pense nisso!

Um ano após “Os Sertões” em Quixeramobim
  

O período compreendido entre os dias 14 e 18 de novembro de 2008 marca um ano da apresentação do espetáculo “Os Sertões” em Quixeramobim. Na oportunidade foram pensadas várias idéias em relação à política cultural para o nosso município, com sugestões do próprio Zé Celso Martinez, diretor da peça teatral. Infelizmente até agora elas não saíram do papel.

Espero que o nosso município adote uma nova postura em relação à cultura a partir de 2009, pois até agora pouca coisa tem sido feita em prol dessa área. Não existe um planejamento estratégico, o conselho municipal nunca se reuniu desde que foi criado, em outubro de 2007, não se tem uma política para captar recursos através dos editais, enfim, está muito aquém do que o nosso Quixeramobim merece. Atenção poder público: vamos agir rápido, antes que os ventos d`“Os Sertões”, que nos entusiasmaram tanto, deixem de soprar na terra de Conselheiro.   

Postado por: Neto Camorim - Historiador e presidente do IPHANAQ.

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3 Comentários

por dora, em 09 de Fevereiro de 2009 as 12:55
PESQUISAS SOBRE O TEMA PRECISAM SER ESTIMULADAS, PUBLICADAS, DIVULGADAS. CONCORDO CONTIGO FLÁVIO.
por dora, em 09 de Fevereiro de 2009 as 12:54
PESQUISAS SOBRE O TEMA PRECISAM SER ESTIMULADAS, PUBLICADAS, DIVULGADAS. CONCORDO CONTIGO FLÁVIO.
por Flávio Telles Melo, em 23 de Novembro de 2008 as 10:52
penso que seja chegada a hora de acabar com essa falácia de que no Ceará não existe negro nem índio, de que todos são mestiços. No Ceará tem disso sim. A história do Dragão do Mar, o sofrimento dos negros nos canaviais cearenses além da resistência dos quilombos dos Caetanos, em Almofala, são, entre outros, prova da existência sofrida e insubmissa dos negros no Ceará. Essa existência prova também a necessária aplicação da lei do ensino de História e Cultura Afro-brasileira no ensino básico, bem como reivindica Neto Camorim.

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