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26/02/2009
O choro do Crocodilo Rei - Uma fábula dos dias atuais

Essa história aconteceu há não muito tempo, mas é uma historinha muito atual. Passou-se em lagoa onde morava um jacarezinho, inocente e manso como aparenta todos os animais quando pequeno, inclusive o ser humano. Por ser uma lagoa que ficava geograficamente no centro de todas as lagoas daquela região ficou conhecida por Lagoa Central.

O pequeno crocodilo passou sua infância ali na Lagoa Central, nadando para um lado e para outro, vez por outra um pulinho fora d´água para pegar um sol e contemplar a natureza, interagir com os outros seres que chegavam à beira da lagoa tão somente para beber água e no máximo um banho rápido. Enfim eles desconheciam os mistérios que as profundezas das lagoas escondem.

Mas o tempo passou. O pequeno crocodilo tornou-se grande, tornou-se uma espécie de rei entre todos. Já não era tão manso assim. Vez por outra atacava um peixinho aqui, outro animalzinho ali que se aventurava a chegar perto da água e saciar sua sede.

Suas atitudes agradavam a muitos, principalmente àqueles que não tinham coragem de enfrentar o Crocodilo Rei, pois ele cresceu muito e parecia ser invencível, mesmo que por ali morassem outros de sua espécie. Então, quem não pode vencer o inimigo é melhor se aliar a ele, assim dizem. Com esse pensamento incutido na cabeça de muitos seres de Lagoa Central, o Crocodilo Rei passou a achar que poderia fazer o que quisesse. Quem o adorasse recebia do mesmo uma área da Lagoa e poderia fazer algo que desejasse, desde que não fosse de encontro aos interesses do crocodilo maior.

A lagoa continuou assim por muito tempo. Não aparecia outro crocodilo que pudesse ou tivesse coragem de enfrentar aquele poder estabelecido. Caso aparecesse, certamente era banido de alguma forma. E não precisa de força bruta escancarada como o é a ditadura dos humanos. Bastava fechar os córregos que enchiam a lagoa e quem aparecesse não poderia subir água acima. Nesta lagoa havia algumas pedras principais onde vez por outra o Crocodilo Rei fazia todos os escutarem. E ele sempre falava de harmonia, prosperidade, união, bem estar para todos. Bem estar para todos, é claro, que não contrariassem a ele. E a grande maioria acreditava realmente. Até os poderes estabelecidos, se não estivessem sob os pés dele, pelo menos procuravam não o contrariar.

 

Esta não era a única Lagoa que existia naquela região. Os peixes, crocodilos, sapos e outros animais que moravam em outras lagoas ficavam maravilhados com o que ouviam falar da Lagoa Central.

Evidentemente que não era uma maravilha tudo o que se ouvia falar. Na Lagoa Central, muitas espécies como Traíras e Piranhas, não concordavam com o que se fazia e o que se falava. Sabiam que muito do que se falava era mentira, que havia muita sujeira e espinhos escondidos no fundo da Lagoa. Mas infelizmente as Traíras e as Piranhas não se entendiam e não achavam uma forma “democrática” de derrotar o Crocodilo Rei, o que significava juntar mais dinheiro para promover a corrupção no período eleitoral, que na Lagoa Central acontecia parecido com a dos humanos, de quatro em quatro anos.

 

Certo dia aconteceram algumas mudanças. Houve um remanejamento e na Lagoa Central chegaram dois peixes diferentes. Eram Tucunarés. Todo pescador sabe da força que esse peixe tem. Quando realmente quer que as coisas sejam feitas corretamente ele faz, mesmo pressionado pelo poder dos Crocodilanos, Partido do qual fazem parte não só crocodilos, mas todos que aderem às suas idéias, não importando a espécie.
 

Assim, depois de muitos anos fizeram uma peixarização, que no mundo dos humanos corresponde a uma fiscalização nas contas de Lagoa Central. Essa peixarização constatou que alguma coisa não estava bem clara no gerir daquela Lagoa. Imediatamente os Tucunarés foram impelidos a cumprirem a lei, e assim o fizeram. Todos tomaram conhecimento dos fatos. Uns acreditavam e ficavam de “escamas lavadas”. Outros não, diziam que era um engano, que aquilo não podia acontecer, que o Crocodilo Rei era honesto e que isso não podia ser verdade.

Tentando reverter a situação, o Crocodilo Rei foi até às pedras principais, onde se reúnem as espécies, para escutar seus líderes. Foi penoso, comovente. Crocodilo Rei derramava lágrimas à medida que falava. A Lagoa Central até aumentou as águas, com as lágrimas escorridas dos olhos do Crocodilo Rei dos seus mais fiéis adeptos.

O que se sabe é que o império contra atacou. Sobrou para todo mundo. Para quem fez a lei acontecer, e vejam só: até para quem inventou de espalhar a notícia sobre a peixarização, sem se preocupar em saber como fica a tal liberdade de expressão, tão propalada.

Diante de tudo que se via e ouvia uma velha Curimatã, que procurava se precaver contra todos aqueles malfeitores de Lagoa Central, filosofava para suas camaradas bem no fundo da caverna aquática, onde durante o dia ficavam refugiadas dos perigos que representavam os pescadores.

Ela fez uma observação para todos que a estavam escutando naquele momento, dizendo: lembro-me que um dia estava eu observando o “nosso” líder maior quando ele ainda era jovem. Ele ainda não tinha se tornado um Crocodilo Rei. À medida que se alimentava fora da água, corria muitas lágrimas de seus olhos e eu demorei muito tempo para entender isso. Hoje vejo claramente que todo o seu choro significava que alguém de alguma espécie de nossa lagoa estava sendo sacrificado. Hoje quando ouço seu discurso se defendendo das acusações, consegui observar coisas que nestes anos todos ainda não tinha percebido.


Vi que enquanto falava ele devorava pessoas de Lagoa Central, não de forma física como eu via antes, mas tentando desclassificar as ações dos Tucunarés, que simplesmente faziam o seu trabalho. Percebi ainda que a maioria dos moradores de Lagoa Central não percebiam as lágrimas devoradoras por estas se misturarem à água, e assim dificilmente se sabia o que realmente o Crocodilo Rei fazia.

Assim, as lágrimas que caem de muitos olhos inocentes de Lagoa Central para muitos continuam sendo verdadeiras. Para outros, não passa de uma hipocrisia política de quem vê o público como propriedade sua, fazendo aquilo que bem entender.

Agora, se uma simples denúncia fez rolar lágrimas dos olhos de tais inocentes, é bem possível que, caso aconteça uma condenação, tenhamos lágrimas de sangue rolando na Lagoa Central.


No reino dos humanos, ou dos “desumanos”, acontece muita coisa parecida com essa história de Lagoa Central. Existem aqueles que se sentem intocáveis, imaculados, e agem pensando que podem fazer o que bem entenderem com aqueles que preferem o partido “A” ou partido “B”, tentando exercer o papel que cabe aos três poderes estabelecidos em qualquer lugar. A democracia só é respeitada até o momento em que ela não vai de encontro aos interesses daquele grupo político que se estabeleceu no poder.

Postado por: Aílton Brasil

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4 Comentários

por Roberto Rivelino Cavalcante Rodrigues, em 06 de Março de 2009 as 09:01
Parabéns Brasil, Essa fábula realmente nos leva há uma reflexão sobre essa sociedade que vivemos hoje onde alguns poucos se acham donos da conciência do povo, não aceitam críticas e nem sugestões que possam contribuir para um todo. Apenas fazem aquilo que acham melhor ou que os use em prórprio benefício, e quando alguém abre a boca e alerta o povo para a realidade dos fatos ai surgem lágrimas e chororos, para tentar comover aqueles que inda se deixam enganar por pouca coisa. Valeu! Rivelino.
por bruno paulino, em 27 de Fevereiro de 2009 as 12:07
muito bom, brasil. e existe quem diga que fabula é besteira. abraço.
por willamy nunes, em 27 de Fevereiro de 2009 as 08:13
sensacional Brasil, esta é uma grande fábula da vida real.Inclusive ela me faz lembrar uma determinada história de uma certa cidade bem no centro de um tal estado,que por sinal tem um colossal crocodilo que acha que esse estado é a extensão das suas empresas.Talvez o crocodilo da cidade central tenha aprendido com esse crocodilo maior. Mas como diz o ditado: Passarinho que acompanha morcego amanhece o dia de cabeça para baixo.
por Francisco Chagas da Silva Neto, em 26 de Fevereiro de 2009 as 23:00
Valeu Brasil, essa historinha está muito ineteressante para fazermos uma reflexão sobre a real situação dessa Lagoa Central. isso é mais que necessário para que todos os poderes de fato desempenhem sua funções com indepedência, e que nenhum deles se arvore em ser o eterno Crocodilo Rei. Vou socializar essa historinha para que as crianças aprendam a se defender dessas feras. Esse é o Brasil que estimo de verdade! Um forte abraço! Neto Camorim

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