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09/03/2009
Da Boca para o Ouvido – Narrar Para Não Morrer

Na semana em que o Cineclube Iphanaq estréia nos distritos de Quixeramobim, Bruno Paulino do Nascimento reflete sobre a prática histórica do novelo das memórias. Contar estória passa a ser muito mais do que um relato de causos, tem a ver com uma atitude política a ser tomada.

 
“O contador de histórias nos faz sonhar porque ele consegue parar o tempo nos apresentando um outro tempo”.


(Cléo Bussato)


As histórias são vivas. Correm da boca para o ouvido, passam de povo para povo, de cultura para cultura... Transformam-se, ganham novas cores, um outro começo, um novo final, sem nunca, porém perderem sua alma, que é a própria cultura da gente.

Assim funciona a tradição oral popular misturando personagens, enredos, mitos, épocas e lugares, sendo que a cada nova entoação as histórias são enriquecidas, pois quem “conta um conto aumenta um ponto” e ninguém narra uma historia de mãos amarradas: o gesto é inevitável.

Tendo as mãos e a imaginação livre, as narrativas orais (contos, fábulas e lendas) correm feito as folhas secas em ventania, tratando sempre de temas importantes e recorrentes: a luta do fraco contra o forte, a busca do parceiro amoroso, os heróis lutando para atingir objetivos diante de forças adversas e desconhecidas, a existência do mal e do hediondo, a origem das coisas e por aí vai.

É triste reconhecer que o nosso acervo de literatura oral não tem a devida atenção que merece, não é considerado pelo que é, ou seja, um patrimônio de cultura e sabedoria, legado pelas tantas etnias responsáveis pela formação brasileira. Acredito que não exista país com tanta diversidade na narrativa oral quanto o nosso. No entanto, pouco tem sido feito para valorizar essa pluralidade. O preconceito é nítido e equivocadamente se dá importância apenas à literatura escrita. Felizmente as camadas populares ainda resistem, principalmente quando residem fora das grandes cidades. Mas se faz necessário garantir espaços para a tradição oral nas escolas, praças, feiras de livros e universidades. Ações fundamentais no processo de reconstrução da identidade cultural e da memória desse nosso Brasil desigual.

Precisamos compreender, nos conscientizarmos que narrar mitos e lendas do nosso povo é muito mais do que mostrar nossa maneira de ver o mundo. É, como diz o escritor citado, “reconhecer a nossa complexidade e colaborar para a erradicação de preconceitos” e continuar a narrar essas estórias que nos precedem, que nos geram, que nos habitam, é nossa tarefa, nossa dignidade, nosso destino, enfim, um lugar plural possível para nós.

Postado por: Bruno Paulino do Nascimento - Graduando em Letras/Literatura pela UECE/Quixadá e integrante da ONG IPHANAQ

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10 Comentários

por Ailton Brasil, em 07 de Abril de 2009 as 16:49
Valeu Bruno, continua a escrever sempre. Você é uma pessoa muito capacitada e as reflexão muito importante, para ficar somente nos nossos pensamentos. torná-la acessível a todos e dar ao aquilo que recebemos das universidades públicas. Abraço.
por João Paulino, em 27 de Março de 2009 as 22:06
Caro Bruno, como é prazeiroso ver que na outra ponta dessa saga que são "Os oito filhos de Carola e Assis", ficou você, que forma muito consciente e sábia, nos alerta para uma realidade que a nossa sociedade precisa despertar urgente, que é para o exercício da oralidade no registro e cultivo da nossa cultura, arte essa, que a nossa avô Tereza, tão bem disseminou, narrando seus contos e causos, ricos em sabedoria. Toca o barco MANO, o papiro é campo vasto para ser arado pela pena, no cultivo fértil do seu talento. Um abraço firme do irmão, João Paulino
por Ygor Braga, em 11 de Março de 2009 as 11:53
Parabéns Bruno! Bom saber que existem pessoas conscientes e sábias como você. Um grande abraço e boa sorte.
por kaio da cruz teixeira, em 10 de Março de 2009 as 21:17
certa vez estava com um tio meu(acho que todos sabem quem é...)quando ficamos sabendo de uma notícia a respeito de um falecimento de um senhor muito velho,foi quando fiz o breve comentário: -esse senhor morreu de velho logo em seguida meu tio me repreendeu e disse: -de velho não,morreu de tanta sabedoria eu achei aquele comentário muito interessante,uma vez que eu tenho a habilidade de captar coisas geniais que as pessoas falam e elas próprias não percebem Trocando em miúdos meu caro amigo Bruno, não é nossa aparência estética e nem um calendário cronológico que determina nossa idade,mais sim todas nossas experiências e histórias vividas. O que seria do mundo sem seus Forest Gumps?
por aline de oliveira de freitas, em 10 de Março de 2009 as 20:37
Quando conheci o Bruno a primeira impressão que tive foi de que ele era um cara muito inteligente...e não me enganei sobre isso... A cada dia ele nos da mais prova de qão tamanha é sua capacidade... Esse dai tem futuro, podem escrever!!! ;p
por Tuany Lopes, em 10 de Março de 2009 as 13:46
Aeew! (palmas) Muito bom saber a capacidade dessa cabra macho que todo dia nos comtempla com suas lições de sabedoria! Pé direito no caminho dado and Good Luck!
por Neto Camorim, em 09 de Março de 2009 as 23:07
Valeu Brunão, seu texto , nos faz refletir o quanto é importante valorizar todos os olhares e saberes que controem a nossa história, muitas vezes sufocada pela visão oficial que insiste em nos excluir. A oralidade também é uma fonte histórica que precisamos valorizar nesse contexto global e midiático.
por marcos paulo, em 09 de Março de 2009 as 22:36
Muito bem, Bruno ! Fico muito alegre em ver um texto de tamanha relevância sendo escrito por um cara que conheço desde os tempos de EALB. Desde aqueles tempos eu já sabia de sua competência e de sua habilidade com as palavras. Fico ainda mais feliz em ver que o contato com as mais diversas formas da literatura não o fez perder a essência. É muito importante valorizar a cultura oral,pois ela representa uma grande parcela da nossa história. Os mitos, as lendas e as memórias têm de ser aceitas como literatura e, além disso, como fontes históricas. PS: CAROS LEITORES, PREPAREM-SE PARA GRANDES TEXTOS VINDOS DESSE CARA, UM PROVÁVEL GRANDE ESCRITOR QUIXERAMOBINENSE. BOA SORTE, BRUNO!!!
por Conceição Almeida, em 09 de Março de 2009 as 22:34
Parabéns Bruno!! Fico feliz em saber que vc é um historiador seletivo e limitado.
por João Paulo, em 09 de Março de 2009 as 19:57
Valeu, Bruno! Quem tem boca vai á Roma (E a qualquer lugar).

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