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17/04/2009
Prosando com Dona Carminha

Pelo fio das memórias, Bruno Paulino destaca sentidos socioculturais na narrativa de Dona Carminha André, Secretária da Casa Paroquial de Quixeramobim

Maria do Carmo da Silva Freire, A ‘Carminha André’, podia ser só mais uma idosa comum com seus 72 anos, se não carregasse nas costas 44 anos como secretária na Casa Paroquial de Quixeramobim, o que fez dela uma extraordinária contadora de casos, com suas lembranças individuais e memórias subjetivas, encruzadas com a historia da cidade, cultuando em especial o passado da paróquia de Santo Antonio de Pádua, suas  historias permitem que o ouvinte seja levado para um outro tempo, um outro espaço, fazendo com que a poesia da narrativa interpele tanto com a narradora quanto com o ouvinte.

“São 44 anos sem férias” afirma, logo já emenda uma prosa “Quando o Padre José chegou aqui na cidade, eu já era funcionária da paróquia, o serviço era fácil”. Conta orgulhosa das 38 primaveras de trabalho ao lado do pároco que ajudou a mudar a realidade da cidade: “Foram 38 anos que ele dedicou de amor ao povo dessa comunidade religiosa”, suspira, e continua “Hoje a cidade tá cheia de gente, né que tá? Mas do serviço ainda dou conta, vez por outra aparece gente com missa pra marcar, mãe de menino atrás de agendar batizado, noivos doidim pra casar, aqui toda a vida sempre foi sossegado”, afirma esfuziante.


Das historias, uma contadora, Dona Carminha também discute e opina sobre coisa séria como preservação do patrimônio histórico de nossa cidade, incluindo o recente caso da demolição do prédio da antiga farmácia localizada no centro da cidade, deixa sua sabia opinião “Eu era menina já conhecia a Farmácia São Pedro daquele jeito, o que dinheiro num faz né?” E ri, em compaixão, dos que produzem monumentos de concretos, em vez  de  castelos de memórias onde se erguem verdadeiras fortalezas de amor ao próximo, esculpidas delicadamente por almas suaves como a de Dona Carminha.

Dessa forma, prosando sem pressa nenhuma, como se o relógio tivesse parado, é que ela descortina a vida, permitindo-se enveredar por outros mundos, como se desejasse trazer à tona o que passa  pelo fio da lembrança, e despercebida de repente se perde na narrativa: “Meu filho, é resultado dessa correria louca que a gente vive” se justifica, porém logo reencontra adiante o caminho para brincar no tempo, pois é o que ela consegue  fazer neste momento em que está contando seus casos, pondo a palavra no mundo, revivendo saberes esquecidos, montando novos saberes, compartilhando seus conhecimentos e vivenciando uma outra uma época. É assim, fazendo aquilo que mais sabe e gosta, contando historias, que Dona Carminha consegue partir o tempo!


(Foto: Dona Carminha André no trabalho de Secretaria de Paróquia)

Postado por: Bruno Paulino é graduando em Letras pela UECE e integrante do IPHANAQ

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9 Comentários

por Gizêlda Ribeiro, em 12 de Fevereiro de 2012 as 17:11
Uma pessoa que merece o respeito de todos quixeramobienses!!!!
por Ana Cristina, em 11 de Dezembro de 2010 as 12:33
Bruno voce acertou em cheio pois se a casa paroquial tem uma historia Dona Carminha faz parte dela... Parabéns..
por socorrinha Alexandre, em 22 de Junho de 2009 as 18:11
De fato, conhecer a história da casa paroquial é antes de tudo conhecer a Carminha André, pois são muitos anos dedicados ao trabalho profissional e missionário. Lembro que muitas vezes fiquei trabalhando na secretaria enquanto ela saía em busca de encontrar casas para serem doadas aos famílias carentes apadrinhadas por holandeses. Sempre disponivel para conferir todas as doações que chegara como: roupas, sapatos, brinquedos, alimentos. Tudo era motivo de satisfação em ver famílias sorrindo ao receber algo. Muitas vezes escuto ainda alguém dizer: a marca registrada desta paróquia é a dona Carminha. Parabéns Bruno, que Deus olumine sempre você e a extraordinária Carminha André.
por Roberto Rivelino C. Rodrigues, em 19 de Maio de 2009 as 16:36
Parabenizo aqui iniciativa de homenagear uma pessoa tão querida dos paroquianos de nossa cidade, realmente Dona Carminha se tornou um ícone na secretária da casa paraquial de Quixeramobim. Com sua doçura e simplicidade sempre procurou atender bem a todos, e com os seus setenta e poucos anos continua fazendo o que gosta, atender bem os paroquianos e contar seus casos. Parabéns ao idealizador dessa materia. E que dona Carminha possa ainda passar muito tempo na casa paroquial.
por aline oliveira, em 09 de Maio de 2009 as 22:47
Apesar de não conhecer a entrevistada Bruno faz com que passemos a admirar o seu trabalho, assim como a sua dedicação e amor ao que faz!! Parabéns pelo texto garoto!
por Cida Cotrim, em 08 de Maio de 2009 as 14:50
Ótimo texto meu querido Bruno! Você consegue passar a doçura de Dona Carminha e sua importância com estilo e com meiguice.
por Leonardo Santiago, em 06 de Maio de 2009 as 16:03
D. Carminha, a primeira figura que encontramos quando entramos na casa paroquial! É parte da história de Quixeramobim, é parte relevante da história da Paróquia protegida por Santo Antônio. Grande Bruno! além de ter escrito um belo texto, deve ter obitido uns pontinhos positivos com a sogra. Um abraço primão.
por Meyreane, em 25 de Abril de 2009 as 13:41
Tive o prazer de conhecer a Carminha André, minha trabalhou pra ela lavando e passando, somos muito grata a ela, nos ajudou muito. Além de ser esta pessoa estraordinária que é, é um exemplo de vida. Minha está mandando um grande abraço pra ela, apesar da distância ser muito grande.
por Neto Camorim, em 20 de Abril de 2009 as 21:55
Caro Bruno, a Carminha André é uma pessoa das mais interessantes para se conhecer as histórias de Quixeramobim nos últimos 50 anos, desdes dos quais 44 dedicados a secretaria da casa paroquial. Tive a alegria de conviver com ela quase que diariamente durante dez anos, e pude constatar o quando seus causos e suas histórias são ricas de informações e curiosidades de nossa cidade. É sem dúvida, uma das memórias mas seletas de nossa histórias contemporânea. Valeu pela iniciativa! Seu texto está muito bom. Um forte abraço!

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