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10/08/2009
Badu: Entre os tempos do narrador

"Todo inverno o Badu morre". Assim dizia um travesti numa noite de domingo, já decadente pelo clima do trailler próximo à rodoviária. Noite vivida e observada por Nascimentos nossos.

Badu fora arrastado na correnteza seguindo as palavras de uma sexta.
Num sábado, pulara do alto da ponte metálica. Já descera na boca da barragem, voando nos três metros de água forte. 

Notícia de segunda de um repórter com normalidade não tão diferente. O apresentador, justiceiro dos costumes nos dias  de mídia, nos folhetins de disciplina, apela para a polícia, os bombeiros... Para alguém, que tem que fazer alguma coisa, já que a família não mais o aguentaria. Ir pralgum canto... Um sanatório para o Badu! Eis a solução. Textualmente um sanatório pedido entre os cristais que ressoavam na manhã de uma segunda em busca de rotina.
 
Lembro da alegria de amigos, mais alta do que a minha em noite cansada pelos afazeres mais de Apolo, antes de Dionísio. Ainda assim, força pra sorrir aos que me ultrapassavam a cantar, dançar com ele, Badu, juntado em risos, vozes e batidas: acordes, gargalhadas entre visitadores livres e Caetanos de Cima. Um sanatório sim, ainda que de outras paredes, ou sem elas. Liga a correção do livro, que tem Badu em uma das epígrafes. Ainda de vida que seja.

A cidade tem quatro lindas pontes/uma maravilha para gente se encontrar/ah meu Quixeramobim/como eu gosto de você”
Parece que Badu flerta com a morte por saber ser ela o maior trunfo do narrador, esculpido por Benjamim. Pedaços de arte, palavras, dança... paixões...já tudo virou fragmento e não mais se diz sobre a vida pulsante. Um público na urbe de quem é diferente, mas ainda se quer o encontro, dizer algo. Talvez espelho trincado desse tal povo, deparando-se e confrontando-se.
 
O CD do Badu, prontinho, baratinho a se espalhar, porém ao mesmo tempo longe de uma maior tiragem. Músicas-Declaração de amor ao que existe, diferente em outra existência, propondo algo novo mesmo. Carlos Badu, em minhas mãos e ouvidos chegados pelo amigo Artur, na voz de agregar indignação e a força maior de novo soprada pela alegria.

Depois disso, a pergunta dura sobre que faríamos por Badu. Mais, se a questão é ele fazer por ele, onde nos colocamos em tempos de solidariedade que avista as fraquezas do homem, já não tão forte, rouco, nos olhos um caleidoscópio de personagem.

No mercado será ainda caminha com a lucidez? A imagem parece fugir com o enredo desse tempo em que o ator quer interpretar mais, viver os tantos palcos e fugir do molde, mais duro que cânone, embora o esteja sempre enfrentando. Fugir a imagem de um artista comum. Artesanal, demo, mas o Badu tem um CD, cantando a solidão de um vaqueiro e de tantos outros, Carlos Badu. Nome mesmo do Poeta Maior até, Carlos, um Drummond para ilustrar a estória?! “Tu tens estórias pra contar”, cantarola, nem rima nem solução.  E se disco não se gravar, ampliando mundos outros a mais pessoas, o que fazemos? Vai ao Caps o Badu? É mesmo a rua o caminho, com pedras no caminho, entre sonhos e pesadelos?

Em meio a Machados e Rosas, mais que sorôcos e igrejas de anjos, Badu nos faz perguntar por ser nosso espelho, ainda que ao mesmo tempo trincado e reluzente.Talvez já eu pergunte com outras vozes, de um penúltimo poema, antes que ele seja somente quase-tinta.  O texto acima chegou até aqui após sugestão de alguns amigos, que o leram em versão anterior. A ele os agradeço e dedico as palavras à comunidade de “caminhantes da rua” da cidade.

Patrimônio Vivo


Iniciam-se no final de semana as atividades do Projeto Patrimônio Vivo, Ponto de Cultura desenvolvido pela ONG Iphanaq. Um total de 30 participantes participam, no Liceu, da primeira oficina do módulo Educação Patrimonial.

Lugares da Cultura

Participei, entre 29 de julho e 1 de agosto, da Semana Roseana, em Cordisburgo, Minas Gerais, que já chega a 21ª. Edição homenageando o filho mais ilustre, o escritor João Guimarães Rosa, autor de obras traduzidas mundialmente, sendo a mais famosa o livro Grande Sertão: Veredas. Pequena cidade da região das Gerais, o principal mérito está no enraizamento da Semana Cultural na Sociedade. Acontece de fora pra dentro e, conseqüentemente, gera dividendos no turismo sem danos para os moradores.

A programação inclui mesas-redondas, oficinas, lançamentos de livros e shows com a comunidade. O maior envolvimento das pessoas se deu por atividades como a criação do Grupo Miguilim de contadores de estórias, com crianças e adolescentes da cidade. Iniciado em 1995, o Grupo contribuiu para difundir e a obra do autor e motivar a leitura entre a população. Os mais maduros passaram a integrar o Grupo Teatral Caminhos do Sertão, que encenam a obra já com caracterização dos personagens. A obra também se espalha em espaços outros como o grupo de bordadeiras Estrelas do Sertão. Mulheres de Cordisburgo realizam trabalhos a partir da leitura da obra Roseana, o que foi intermediado por professores de universidades e educadores da região

Institucionalmente a Semana Roseana é realizada pela Superintendência Estadual de Museus de Minas Gerais e esse ano teve como tema “A loucura na obra de Guimarães Rosa”. Além de despesas menores em relação às “cidades-monumento” (Ouro Preto, Mariana, Tiradentes), a Semana Roseana é uma boa dica de turismo, pelo cenário de paisagens roseanas e outras atrações como as grutas da região (www.cordisburgo.minas.gov.br).

Sábia Loucura Futura 

“O preço do batizado chegou lá em cima. Pra que isso, se João Batista fazia de graça por aí em tudo que era água”

(Lindival do Rádio)

Postado por: Danilo Patrício - Mestre em Historia Social e Diretor de Articulação do Iphanaq. danilopatricio1@hotmail.com

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6 Comentários

por Sullyan, em 09 de Agosto de 2010 as 09:25
Eu quero saber se tem essa rua e esse bairro ai em Quixeramobim? Rua: Cornelho Fernando e o Bairro: Orelho Camera
por Clemilda Feijão, em 13 de Setembro de 2009 as 10:54
Danilo seria Badu um personagem no período de Inverno.porquê nas outras estações não se escuta falar desse personagem.
por Bruno Paulino, em 21 de Agosto de 2009 as 15:33
'Só a loucura é grande , porque só ela é feliz' assim dizia um Pessoa de apelido desassossegado, o tambem desassossegado badu entoa o mesmo grito e faz uma alerta só que com outras palavras: 'Pelo amor da ponte metalica...' assim bradava Badu numa madrugada pelas ruas da cidade, foram uns amigos meus que me narraram este fato dias depois,eu a priori não entendia a metafora baduniana , mas hoje penso e concluo como Rosa na voz de Riobaldo'Oque é pra ser - São as Palavras!' parabens Danilo texto brilhante! e que inveja da semana Roseana...abraços.
por Antonio Carlos da Cruz, em 17 de Agosto de 2009 as 17:47
E viva a loucura nossa de cada dia!Valeu meu irmão.
por Osvaldo, em 15 de Agosto de 2009 as 19:22
Salve,Badu! Salve,Danilo! Salve, Lindival! Genial.
por Ailton Brasil, em 15 de Agosto de 2009 as 11:09
Valeu Danilo. Boas lembranças de Badu Presente. E a frase final do Lindival é sensacional.

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