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21/08/2009
1 real de amor!?

Em tempos de tanta declaração de amor a Quixeramobim, uma oportunidade de demonstrá-lo na prática, rapidamente, com direito a alardeá-lo aos quatro cantos. Pelo menos para as chamadas autoridades. Como outras cidades, temos mais de um aniversário de urbanidade oficial, a elevação à Vila de Campo Maior, em 1789, no 13 de junho, e a data fundante de município, em 1856, no processo de novas emancipações após a proclamação da independência em 1822.

Nesse 14 de agosto, atendi convite para entrevista de um comunicador conterrâneo, que me fala comovido de uma pequena casa na Rua Dias Ferreira, nome do Fundador português de nossa pequena e entoada civilidade. Uma das primeiras edificadas no período a se pensar na localização, próxima à Igreja Matriz, antiga capelinha da fazenda de Santo Antônio, do mesmo Dias Ferreira. Anunciava o radialista que a casa caía, com marcas da época e data da construção anotada no alto. 
 
 
Muito conversamos. Por exemplo, sobre o drama do patrimônio ambiental urbano, como o Açude da Comissão e o Riacho da Palha, no entendimento de que a cidade é feita de desejos e conflitos, por isso histórica. Sobre o patrimônio material, o de cal e cimento, passei a informação sobre a notificação da Prefeitura pelo Ministério Público, que considerou as edificações do Centro de “relevante interesse” para Quixeramobim.

O fato muda a alteração dos prédios e esperamos que também as utilizações. O município continua sem bens tombados, isto é, sem definir oficialmente seu patrimônio edificado. Após alguns tombamentos ao chão, o Ministério Público agiu e a Justiça tem sido sensível, acompanhando o desejo de parte da comunidade.   

Sabemos da tradição ligada aos poderes nos tombamentos de prédios antigos. Por vezes decretam-se tombamentos de casas de ricas famílias, esteticamente imponentes, que nem sempre se ligam a um sentimento mais coletivo compartilhado pela população.

Porém, e mesmo para além das conceituações, a casa citada pelo radialista pode nos vislumbrar uma paisagem lúdica, afetuosa de maneira particular e ao mesmo tempo plural de quem sente a cidade. A casa, esquecida, meio desbotada e soando rouca, toca o espaço do caminhante da cidade, próxima ao Rio pegada de elo entre os tempos. A casa meio cinza e agora tombante, abre espaço para um sentimento até de criança que quer enfeitar seu desenho, seja para mostrar o colega que visita sua casa, ou mesmo para apreciá-la e vivenciá-la em sua beleza, tê-la bem cuidada, para além da ingenuidade.  

Para que as instituições entrem em contato com tais sentimentos – se forem capazes e quiserem -, é preciso que secretarias, câmaras e prefeitura participem do espaço público da Cultura que se tenta formar no Brasil. A defasagem deve ser recuperada inicialmente com a participação de editais, seminários, fóruns e outros espaços fora dos limites de Quixeramobim, em tempos de Cultura globalizada.
Tais ações não ocorreram na gestão passada da cultura a qual acompanhamos.

É preciso que as autoridades da cultura, para isso remuneradas, iniciem um trabalho feito em muitas das cidades antigas, chamadas de históricas pelas edificações. Trabalho esse onde está, ou deveria estar, a definição por lei do patrimônio municipal, estabelecendo legislação própria para, assim, participar de circuito turístico de acontecimentos duradouros e grandiosos, já que também é esse sentimento tão propalado nas datas de comemoração.

Uma simples visita ao Secretário Estadual de Cultura (Secult), agendada pela ONG Iphanaq, com a presença do Secretário municipal, resultou em medidas práticas e sem custos. Exemplo disso foi a visita de técnicos que levaram para recuperação os documentos antigos do cartório, com finalidade de retorno para um Arquivo Público Municipal, conforme proposto a Auto Filho.

Logo após a mesma visita, na mesma leva de solicitações, técnicos da Secult deslocaram-se à cidade e demarcaram a poligonal de preservação no entorno da Casa de Antônio Conselheiro, ausente desde 2005, quando tombada pelo Governo do Estado. Mas porque quase ninguém fica sabendo disso na cidade? Daria mais trabalho potencializar o comércio pelo turismo em Quixeramobim? A política de emprego não agregaria no ramo, como guias de turismo, a mão-de-obra suplicante por postos de trabalho dos calçados? Bom pensar pra onde caminha esse amor, tão espalhado.

Nosso 14 de agosto a cada ano se constrói com placas, inaugurações e cerimônias, incluindo as provincianas. Nascemos como cidade assim, na artificialidade forjada de poderes que surgiam numa zona urbana coletora de impostos, coibindo comportamentos e ações do vasto sertão e, principalmente, ocupando lugares, colocação alta, para uma velha chefia que precisava se renovar já no Brasil Colônia, se legitimar como poder de decisão num cenário de urbanismo embrionário. Nesse espaço, talvez por outras línguas já se falasse em preservar, em representar o povo que, mesmo velado pelas fontes oficiais, já dava algum trabalho às autoridades de ontem.

Às de hoje, parentes ou aderentes, mais ou menos declarantes do amor por Quixeramobim, lembre-se que a definição do patrimônio edificado, ainda que também ligado aos poderes, não dá despesa nas contas públicas. Passa longe dos discursos e articulações sobre Projetos, Audiências e outras burocracias. Apenas uma pestanejada dos assessores jurídicos da ora. O tombamento judicial foi feito. O documento está no Fórum à disposição. Espera apenas o copiar e colar para um decreto do chefe do executivo, ou projeto de lei de um vereador a ser aprovado, em tempos áureos de sintonia política. O quanto antes, mais lembrado será o amor declarado, assim posto em prática. Até lá, ficamos a pensar se a falta disso se dá pela ingerência, medo, fadiga, desinteresse... juras, só lembranças, amor bandido?

Por enquanto, são “amores passados”, literalmente. Propala-se uma bonita História, porém presa ao passadismo, sem relação com o vivido pela população. Como no hino, e apenas, “um passado remoto e glorioso”. Se as edificações não forem usadas numa política de patrimônio turístico pelo município, o caminho deve ser mesmo o chão, buscando nós outras afetividades, que são dinâmicas. Nada demais, se a muitos não incomodasse a falta de presente, na apatia sobre o que se fazer com o futuro do passado!

Sábia Loucura Futura 

“Foi uma jura que eu fiz a Nosso Senhor/posso até morrer de amor/mas não vou parar de amar”.

(Rabequeiro Luiz Pereira)

Postado por: Danilo Patrício – Mestre em História Social e Diretor de Articulação da ONG Iphanaq / danilopatricio1@hotmail.com

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4 Comentários

por Clemilda Feijão, em 13 de Setembro de 2009 as 10:51
Em tempos tão difícies com relação ao patrimônio histórico em Quixeramobim, percebemos que aos pouco a educação patrimônial começa a dar frutos em nossa cidade o ifhanaq está implementado trabalho que cabe a todos ajudar.A educação patrimônial é um dever de todos.
por nilo sergio costa maciel, em 26 de Agosto de 2009 as 20:03
Pena que a maioria dos filhos do meu Quixeramobim não teem nem a metade do amor e da consciência que tem o filho e jornalista Danilo Patrício, amar sua terra não é só falar mas é, principalmente, agir, mostrar, brigar, não baixar a cabeça para os poderosos que não teem nenhum apego, se não o financeiro, por nossa cidade, Danilo, Dauria, Sergio Machado, por favor não deixemos acabar com o pouco que ainda resta da nossa cidade e da nossa história. quixerAMObim, este é o meu lugar....
por Dauria Braga, em 24 de Agosto de 2009 as 17:47
Amar ´e investir - Por Investimento para dar mais empregos aos nossos Conterraneos ai em nossa cidade. Por divulgar e dizer que ai é o melhor local para se viver - falar sempre bem. (Porque quente é a espanha) e ninguem fala para lá ea Europa. Investir em cultura Levar pesoas para conhecer a nossa terra Tem Conterraneo dizendo que Quixeramobim já era, Mas mora na pereferia de Fortaleza (Bobos).
por Sérgio Eduardo Holanda Machado, em 21 de Agosto de 2009 as 17:49
Com aniversário comemorado recentemente Quixeramobim ganhou festa em praça pública com direito a bolo e, como relatou Danilo Patrício em seu artigo, muitas declarações de amor. E ganhou mais: ganhou as ponderações extremamente lúcidas de um cidadão que defende com propriedade os nossos mais caros bens: os culturais. Lendo seu artigo, Danilo, penso naquele pai que agride constantemente o filho que diz amar. Para mim, amar significa cuidar. E é desse tipo de amor, concreto, que a cidade precisa. Seu posicionamento nos faz refletir sobre a responsabilidade de cada um de nós na preservação da nossa história e da nossa cultura. Se amamos de verdade, preservamos, cuidamos do objeto do nosso amor. Quem ama não destrói. Admiro sua luta juntamente com os companheiros do Iphanaq em prol da preservação da nossa história real e não ideal. Quem dera que cada um de nós quixeramobienses pudesse sentir um amor com A maiúsculo por esse chão e, sob o domínio desse sentimento, pudesse sentir orgulho do que fomos, do que faz de nós aquilo que somos e mais do que isso, lutássemos para preservar o pouco que ainda nos resta. Porque amor não se declara, se mostra com ações.

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