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22/12/2009
Assim na vida, como na morte

Por mais de cem anos, os sepultamentos em Quixeramobim eram realizados dentro da Igreja Matriz e outros templos. Porém, existia uma distinção para realizar os sepultamentos, que eram definidos de acordo com a importância e condição social do falecido.


Os túmulos de “grade acima” eram destinados aos chamados “homens bons”, os ricos da classe dominante composta de grandes fazendeiros, políticos de influência e pessoas abastadas de um modo geral. Os padres, por outro lado, constituíam a elite dessa estratificação, se assim podemos chamar. A eles eram reservados os altares.


Essa prática era comum em toda localidade que tivesse pelo menos uma capela e aqui não poderia ser diferente. Vale salientar que muitos deixavam em seus testamentos e inventários o desejo de serem enterrados dentro de uma igreja. Com o passar do tempo, esse costume começou a causar incômodos e inconveniências, devido ao forte cheiro de corpos em decomposição, que exalavam das sepulturas, atrapalhando as atividades religiosas e até mesmo, o desenvolvimento urbano em torno da Igreja Matriz e da Igreja do Bonfim. Era proibido construir moradias nesse trecho da cidade, pois existia o receio de que as pessoas poderiam adoecer, devido à inalação constante e dos ventos que espalhavam a podridão.


Foi então, que em 1854, o padre coadjutor da Paróquia de Santo Antônio, José Jacinto Bezerra Borges de Menezes, deu o início a construção do cemitério. Fato que mexeu com o imaginário popular, pois as pessoas da época acreditavam que só teriam “salvação”, se fossem sepultadas numa igreja.  Mas com o poder de convencimento do religioso, logo ele conseguiu a adesão do povo e a construção tomou ares de mutirão e cada um contribuía como podia. Quem não podia doar material de construção, doava horas de serviços, carregando areia e pedra do rio Quixeramobim para erguer os muros do cemitério e a Capela de Nossa Senhora do Carmo.


Depois da construção, foi dado permissão para que as famílias erguessem seus mausoléus. E então, a ostentação de poder ficou ainda mais explícita. As famílias mais ricas gastavam enormes quantias de dinheiro para pagar todo requinte empregado na construção de seus jazigos, que deveriam ficar de acordo com o poder e posição social do falecido. Muitas vezes, era encomendada a artistas europeus essa incumbência.


Vale ressaltar que essa estratificação continua presente no cemitério local ainda hoje, mostrando que mesmo após a morte, seu jazigo será destacado de acordo com a posição social que representava aqui na terra enquanto vivo. Foi nesse intuito e temática, que tentei contribuir para a realização do 1º Roteiro Cultural guiado que realizei no dia 20 de dezembro de 2009 às 06:30h da manhã no cemitério de Quixeramobim, para os alunos do Ponto de Cultura Patrimônio Vivo, do qual faço parte e convidados.


CINECLUBE IPHANAQ ENCERRA SEU PRIMEIRO ANO DE EXIBIÇÕES


Neste dia 27 de dezembro a partir das 18:30h no Bairro São Joaquim (Salão Comunitário) o Cineclube Iphanaq estará encerrando as atividades do seu primeiro ano de exibições em Quixeramobim. Depois de visitar as sedes de todos os distritos do município, oportunizando as comunidades ter acesso ao cinema, iremos concluir nossas atividades em um bairro onde a sua população, segundo alguns moradores, é praticamente esquecida pelos governantes. Faltam políticas sociais para a melhoria de vida da comunidade. Portanto, os moradores não têm acesso a bens culturais apoiados pelo governo municipal, através da Secretaria de Cultura e Turismo, que, aliás, falta compromisso com geração de políticas culturais no município.  É justamente nessas populações que a Ong. Iphanaq procura atuar, despertando nas pessoas através dos debates após os filmes, que elas reflitam e reivindiquem das autoridades seus direitos sociais e culturais. Esse projeto tem a parceria do SESC-Ler de Quixeramobim, o apoio da R & A Variedades e do Sistema Maior de Comunicação.

Postado por: Iran do Nascimento- Artesão e aluno do Ponto de Cultura Patrimônio Vivo

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2 Comentários

por Izabel Gurgel, em 03 de Janeiro de 2010 as 15:11
Iran, Que presente você nos deu: o texto, o roteiro, a possibilidade de encontros outros. Quero ir ao Quixeramobim e participar de uma visita guiada. Fico contente de saber que a sugestão ganhou vida. Mais ainda de saber que começou pela morte. É o que nos mobiliza, afinal. Parabéns!
por Danilo Almeida Patrício, em 24 de Dezembro de 2009 as 01:40
Iran, parabéns pelo texto e pelo trabalho do Roteiro Cultural. Que ele se consolide a partir dos demais alunos do Ponto. Foi uma satisfação, aqui de Fortaleza, ler seu texto e saber dessa informação, como está na foto. Danilo Almeida Patrício

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