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04/08/2010
Antonio Carlos Badu

Badu batucou batucada fez zuada nas calçadas da Maravilha. Muitos riem de suas cachaçadas, de suas dancinhas e até de suas risadas. Escultor, artesão, músico, crítico (sim, tenta falar de arte e cultura pra ele, pra tu ver), capoeirista, poeta, historiador popular (conhece histórias de Quixeramobim como ninguém)...

Esse é o Badu que se esconde em trapos, cabelos assanhados, pele ferida (feito São Lázaro, por vezes faz lembrar outra figura quixeramobinense: Chico doido), pés descalços, algumas doses de cachaça e uma dor de chifre. Louco. Doente. Mendigo. Drogado. Bêbado. É assim que é visto. Maldita cachaça! Sempre ela. Maldito chifre! Culpa dele. Enquanto muitos falam pejorativamente da Maravilha, Badu a eleva, a vê como a “terra prometida”, a sua terra prometida.

Enquanto muitos cantam Forró Sacode (e se orgulham de ter Tony Guerra como conterrâneo), ele canta (e conhece) Fausto Nilo. Talvez Fausto seja outro louco, mas foi viver sua loucura longe daqui, pra não ter que ser chamado de louco também, mas em outra “ex-crita” falarei só dele. Badu é um cara extremamente lúcido e inteligentíssimo. Bastam cinco minutos de conversa com ele. Passei recentemente por essa transfiguração. Genial. Foi a única palavra que pude emitir aos amigos que estavam comigo quando Badu saiu em busca de mais um disco voador pousando na torre esquerda da Igreja Matriz de Santo Antonio. Cantamos juntos (ele mais do que eu) de Raul Seixas a Luiz Gonzaga, passando por The Beatles e fechando com Fausto. Um cajado que levava (me lembrou Conselheiro, outro daqui “louco e corno” ignorado) se vestiu de baqueta, violão, contrabaixo e qualquer outro instrumento musical que a canção pedisse.

Houve um momento em que ele pediu licença pra cantar uma composição própria. Até parece que precisava pedir licença. “O palco é seu, Badu. O mundo é seu, o artista aqui é você!” Senti nessa hora o talento poluído como as águas do Rio, que passa por baixo das quatro grandes pontes, jogado nas ruas, jogado nas graças de alguns desgraçados que se dizem normais. Louco, ele? Não! Ele só não preferiu viver nessa loucura normal, monótona, falsa. Falando em falsidade, lembrei que existe uma comunidade virtual em um site de relacionamentos: “Sou fã do Badu”. Mas de qual Badu? Afinal, qual Badu conhecemos? A cachaça pra ele é um escape? Um refúgio? Não! Inspiração. Viva Badu! E que sua loucura seja perdoada, afinal, “somente a loucura é que é grande e feliz!”...
Postado por: João Paulo Barbosa da Silva – Prof. de Inglês do Liceu de Quixeramobim – Licenciado em Letras pela UECE-FECLESC – Quixadá. E-mail: joaopaulobs@hotmail.com.

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2 Comentários

por Sérgio Rodrigues, em 13 de Agosto de 2010 as 06:44
Quem diria que por trás de um maltrapilho se encontre tamanho artista. No tempo que morei em Quixeramobim jamais alguém me falou tanto das qualidades de uma pessoa que por muitas vezes diziam morto pelas ruas da cidade, "Badú". Talvez por minha ignorância e até por minha falta de compreensão de como se disfarça a loucura de cada um de nós. Parabéns ao Professor João Paulo pelo seu empenho de mostrar este artista que ninguém conhece em nossa terra e muito obrigado. E como disse o Danilo "Vivas ao Badú".
por Danilo Patrício, em 07 de Agosto de 2010 as 20:14
Viva Badu! E que viva também a sensibilidade dos que conseguem ver a cidade para além. Parabéns João Paulo. Bom ler suas palavras bem vivas! P.S. Aproveito para sugerir o texto ao novo site www.patrimoniovivo.com.br Junto com ele, bem que poderíamos ter a capa e uma das músicas do CD "A Solidão do Vaqueiro". O disco foi gravado por Badu com poucos recursos, muito aquem da potencialidade desse artista da experiência.

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