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24/09/2010
Em Nome de Deus - Uma reflexão de pouquíssimas horas

A história da humanidade é marcada ao longo dos séculos por momentos importantes, de conquistas e de derrotas. A curiosidade e a necessidade tem tornado o ser humano um animal muito inteligente, mas também muito cruel com o mundo e com o seu semelhante.

No início a luta pelo fogo, hoje tão comum entre nós, foi motivo de disputa. E com tantas conquistas, com tanto avanço da ciência, do pensamento e da tecnologia, temos uma massa muito grande de pessoas que não fazem uma leitura do mundo e da realidade. Alguns, porque permanecer a situação como está é muito favorável, e lhes garante uma vida confortável, sem necessitar de ir a luta, sem arriscar-se de ganhar alguns adjetivos que para muitos é vergonhoso. Outros ficam muito limitados pela necessidade de ganhar o pão de cada dia. Até protestam, de forma silenciosa, pois sabem que caso expressem-se de forma clara serão punidos exemplarmente. Mas ainda há aqueles que vão contra tudo, que apostam na possibilidade de vitórias apesar de algumas promessas de mordidas em seus dividendos.


Era uma segunda feira, dia seis de setembro, por volta das nove horas e 40 minutos da manhã, quando a cidade e a escola ainda respiravam a ressaca, as últimas narrações da derruba de boi, e o mau cheiro da última vaquejada, quando iniciamos nosso encontro.


“Jesuses”? -
Iniciamos com um momento de reflexão, onde fomos impelidos a pensar num dos homens mais éticos da história – Jesus. O que faríamos com este homem se por acaso o encontrássemos por aí na nossa caminhada? Eu particularmente, naquele momento, poderia pensar uma lista de coisas que pediria para que ele mudasse nesse mundo, ou mesmo lhe pedisse algo que me realizasse pessoalmente, ou de alguém que estivesse muito próximo a mim, sofrendo de alguma dor insuportável. Mas confesso que não pensei em nada disso. Limitei-me a contemplar sua imagem, aquela mesma imagem que temos em muitos quadros em nossa casa, de um Jesus loiro de olhos azuis, que a colonização européia nos impôs. Pensei nos seus discursos proferidos contra a injustiça praticada pelo Império Romano ao seu povo, nas suas ações práticas para aliviar o sofrimento de algumas pessoas. Mas pensei principalmente na dor dele, no momento em que estava sendo pregado na cruz. Mas ele poderia ter se livrado disso tudo, era só querer. Só que o egoísmo não fazia parte de seu dicionário de palavras.

Ao final da dinâmica proposta, teríamos que fazer com outro aquilo que faríamos se encontrássemos Jesus. Foram muitos beijos e abraços, cumprimentos diversos, atos muito comum na nossa latinidade.


Em seguida, assistimos a um vídeo, por sinal de conteúdo muito interessante. Mergulhamos naquela reflexão, por estarmos inseridos naquela realidade. O conteúdo nos mostrou muito da nossa dificuldade, mas também de caminhos que nos levam a enfrentar tantos problemas vistos no magistério.


Aos poucos, algumas pessoas foram exemplificando realidades vividas, e de como estamos despreparados para encarar os desafios que a educação do século XXI nos oferece.


Foram explorados de forma brilhante a ética, a confiança, o respeito pelo outro, a necessidade de interação e também de invenção no processo educacional a partir do conhecimento da realidade com a qual estamos envolvidos. Nesses momentos, até criamos alma nova, nos fortalecemos, nos sentimos encorajados a enfrentar os desafios cada vez mais de frente e de forma muito mais enérgica.


Recados -
O nosso encontro caminhava para o final. E o nosso final dificilmente é como os finais da novela da Globo, onde tudo acaba muito bem. Com os malvados presos, ou se dando mal, e os mocinhos felizes para sempre: amém.

Já havia um zum, zum, zum pela cidade da postura tomada por nossa administração em relação à paralisação dos professores, marcada para o dia nove de setembro. E o recado foi dado, de forma muito diplomática, mas foi dado. A possibilidade de o ponto ser cortado para quem aderisse à paralisação dos professores proposta pelo Sindicato dos Servidores Públicos. Em outras escolas foi até muito ameaçador. Terrorismo mesmo.


Eu vejo que é assim mesmo, sempre foi. Karl Marx definiu muito bem que a história da humanidade é feita pela luta de classes. Alguns ficam quietos, por ser conveniente ou por ser perigoso ir contra o poder. Outros não, vão à luta em busca de seus objetivos. Talvez seja por isso que a vida é uma coisa apaixonante. Caso contrário, desistiríamos de viver. E acho que democraticamente cada um deve assumir a responsabilidade de seus atos: Ficar parado para manter-se pelo menos vivo, ou arriscar-se para tentar ser feliz.


Agora, o que não suporto, não concordo e vou bater sempre é contra a hipocrisia do discurso vazio. Citar Jesus, seus atos, rezar suas orações, assistir vídeos com mensagens de ética, educação, autonomia e fechar um momento de encontro com recados ameaçadores. Não engulo. Temos que defender aquilo que representamos, mas sem rasgar a palavra de Deus, sem jogar no lixo as teorias lidas e assimiladas nos vários anos de faculdades, especializações... Todas as teorias criadas, pensadas e discutidas por filósofos, pensadores, educadores e religiosos devem nos levar a sermos seres melhores, democráticos, respeitando o direito de cada um de se manifestar, de reivindicar aquilo que a lei lhe garante, ou de permanecer calado, mas por opção, não pela opressão.


“Toda força bruta nada mais é do que um sintoma de fraqueza” - (Zé Geraldo)
Postado por: Ailton Brasil - Historiador e Militante Social

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2 Comentários

por Osvaldo, em 26 de Setembro de 2010 as 18:49
Firme,fundamentado,sensato e instigante.
por Danilo, em 24 de Setembro de 2010 as 21:06
É triste, mas são os fatos. Infelizmente no campo da educação. não dá pra acreditar nas tais melhorias enquanto educação não for uma política, pensada humanisticamente. Triste vê-la cada vez mais ser diferenciada como título fácil para engrandecer currículos. Porém, fiquemos com a força de muitos, que não se quedam aos caprichos particularizados através do público!

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