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29/12/2010
Padre Mororó e as Cunhãs Liberais de Quixeramobim

Cada povo tem que lutar pela sua memória. É ingênuo pensar que conhecemos o nosso passado, pois o que a maioria sabe é exatamente o que a historiografia e o senso comum permitem saber, e é muito corriqueiro que a história eleja seus atores e heróis, e renegue seus personagens secundários e mártires. Esse texto é justamente uma tentativa de trazer à luz um mártir de nossa historia no episódio da Confederação do Equador e seus seguidores.


No ano de 1821, o Padre Gonçalo Inácio Loiola Albuquerque e Melo, o Padre Mororó, antes um homem de espírito inquieto, que quase não parava nos povoados onde exercia o seu apostolado, decide deter-se demoradamente em Quixeramobim, onde residiu próximo à praça do cotovelo. Por essa época já era reconhecido intelectual por conta de seus sermões bem acabados e de seus estudos em botânica, além de dedicar-se ao magistério particular. Ingressa na política sendo eleito vereador.  

 

Em seguida, Padre Mororó entra em questão com alguns ilustres da cidade, juntamente com o Padre Ambrosio Rodrigues Machado, pois os dois impediram a execução de uma sentença que determinava penas de açoite a uma escrava de propriedade de Ana Felícia. Tratando-se de caso envolvendo pessoas comprometidas com a política local, de imediato a questão chegou aos extremos levando os agrupamentos à luta. O alvoroço foi tão grande que os dois padres tiveram que se deslocar para Recife.


Pela república
- Padre Mororó regressa a Quixeramobim no ano de 1822, como gesto de adesão de um verdadeiro partidário da independência. É neste momento que “o padre Gonçalo – a imitação de outros, substitui o seu cognome – Melo – pelo de Mororó, planta cearense’’ (Brígido, 1996, p. 371-373). Depois disso, ao tomar conhecimento da dissolução da constituinte de 1823, o Padre Mororó passa a liderar campanhas de protesto contra o ato e acaba por se engajar na luta pela república.


A Culminância de sua luta deu-se na histórica sessão de 9 de janeiro de 1824, quando juntos, Câmara e a população da então Vila de Campo Maior, deram um grito de liberdade contra os atos ditatoriais de D.Pedro I e declara “Excluido do trono o imperador e decaída a dinastia de Bragança”(Farias, 1998, p.68), propondo com isso a criação do Governo Republicano e a nomeação de Pereira Filgueiras para o comando de todas as forças provinciais.


Imprensa -
Mororó passa a ser também o redator do primeiro jornal dentro de um critério oficial existente no Ceará: O Diário do Governo do Ceará. Foi o espaço onde ele emitiu suas convicções liberais, envolvendo-se de corpo inteiro no embate da Confederação do Equador. Infelizmente, grande parte dos números do periódico se perdeu, pois muitos foram queimados por determinação das autoridades repressoras.


Mas é bem verdade que alguns também sobreviveram precisamente no Arquivo Público Estadual, onde se acha a cópia do número 5 de primeiro de maio, e na Biblioteca Nacional, onde se encontra o conteúdo do número 8, de 22 de maio de 1824. Neste exemplar, destaca-se a Carta enviada ao Sacerdote Mororó pelas senhoras de Quixeramobim. Na referida carta, o Padre Mororó é vivamente exaltado, situando-o no plano superior das virtudes morais e cívicas.


Cunhãs
- As senhoras que assinam a carta se dizem ‘’fracas Cunhãs’’. Essa denominação se dá pelo fato de adeptos da Confederação do Equador assumirem nomes de plantas e expressões indígenas. Com esse gesto, afirmavam assumirem “deveres para com a nossa mãe Pátria”, adestram-se com “as competentes flechas”, movem-se acompanhadas por suas respectivas famílias “dirigiremos hinos aos atletas da Sagrada liberdade e ao som dos instrumentos bélicos entoaremos o harmonioso toré (dança indígena) em aplausos as festas da Pátria”. Terminam por afirmar a expectativa que estão possuídas, a de que o Pe. Mororó faria chegar aos sertões “o esplendor de suas luzes’’. Eis um documento valioso elaborado pelas ‘’Cunhãs liberais de Quixeramobim’’.


Mas no dia 8 de Novembro de 1824 cai a República Cearense e no ano seguinte Padre Mororó é condenado pelo que a monarquia considera como crimes:

a)     Ter proclamado a república de Quixeramobim;

b) Ter servido de secretario do presidente da República no Ceará, Tenente-Coronel                       Tristão Gonçalves de Alencar Araripe;

c) Finalmente, acusado de ter sido o redator do Diário do Governo do Ceará, órgão dos republicanos (Montenegro, 2004, pag. 71)


No dia 30 de Abril de 1825, o Pe.Mororó foi executado com seus companheiros na “Praça dos Mártires”(Passeio Publico). Conta-se que ele foi o primeiro a enfrentar o tiro de misericórdia e que, no momento que lhe colocaram a venda, ele recusou e disse: “Camaradas, O alvo é este – colocou a mão direita sobre o coração e disse - tiro certeiro para não me deixarem sofrer muito” (Aragão,1987, pag.141).Com certeza algumas senhoras choraram sua morte.

Postado por: Bruno Paulino - Graduando em letras pela Uece (Feclesc) e integrante da ONG Iphanaq.

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3 Comentários

por bruno, em 15 de Maio de 2011 as 10:41
padre mororó
por Danilo , em 12 de Janeiro de 2011 as 12:05
Pensemos mesmo, também hoje, nas cunhãs e na imprensa (empresas e redatores). Parabéns ao Bruno Paulino!
por Osvaldo, em 31 de Dezembro de 2010 as 08:23
Excelente contribuição ao banquete, Bruno!!! Viva as Cunhãs!

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