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30/05/2011
No bar todo mundo é igual?

Diz certa música, que no bar todo mundo é igual. Segundo tal compositor e cantor, o Rossi - também filósofo e cachaceiro -, o bar seria tal ambiente democrático, movido pelo que o escritor Aldous Huxley chamaria de Soma, porém em versão destilada, a pinga.

    É desse espaço dos iguais etilizados e não elitizados, a goles e bicadas, entre tombos e tropeços, buscas nos gargalos das garrafas de bagageira e douradinha, que encontramos ao longo dos anos essas preciosidades tragadas nos bares e botecos de Quixeramobim.


    Lá pelos anos 70, no bar e casa de jogo do Naef, no mercado público, o ambiente era frequentado por meretrizes, jogadores de cartas e chapeados, também chamados de carreteiros, como Ciço Feitosa, Zé Bocão, Ligeirinho e o Louro da Lucíola.

    Ciço Feitosa passou o resto dos seus dias pelas calçadas do mercado público, sempre implorando uma bicada e sofrendo maus tratos. Certa vez, foi agredido por Jumentinho, que lhe cortara a ponta de uma das orelhas com uma faca amolada. Aquilo lhe deixara mágoas. Certo dia, alguém chega pra ele e diz: Jumentinho acaba de morrer, caiu das escadas (comenta-se que foi empurrado) da casa de jogo e quebrou o pescoço! No ato, Ciço arremata. Vingativo e espirituoso: Bem feito, jumento não sobe escada!

    Cana de açucar e sal - No Bar do Boró, um quilo de sal era pouco para o tira-gosto dos biriteiros. Só dava para a rodada de uma semana. Boró, insatisfeito com o consumo exagerado do produto, resolveu colocar sal em pedra, sobre o balcão. Por um bom tempo se podia ver as marcas das línguas dos apetitosos consumidores do precioso elemento químico, o NaCl.

    Ligado por um beco à Rua da Cruz, mais precisamente na Teixeira de Freitas, existe até hoje o Bar do To, que além da boa água, outrora, também vendia algumas especiarias como o besuntado óleo de pequi. Dizem que os assíduos frequentadores engasgavam-se com o líquido que passarim num bebe,quando algumas senhoras ou senhoritas entravam no estabelecimento e perguntavam: – O Senhor tem óleo de pequi Tó?

    No Alto da Maravilha, lá pelos anos de 1980, havia, na boca da ponte da Maravilha, o Bar do Seu Bonitim, provavelmente um patriota positivista nacionalista (ou seria anarquista?). Na parede baixa do balcão, pintada à tinta óleo, uma bandeira similar a do Brasil. No círculo onde ficaria a expressão Ordem e Progresso, o formato da bandeira nacional trazia escrito o pedido “Não Cuspa no chão”, como pedido feito aos fregueses.

    Alcaida - Influenciado pela emblemática figura do “mega-terrorista” Osama Bin Laden, pelos idos do ano 2001, alguém colocou um barzinho, no bairro Duque de Caxias, com o expressivo nome de BIN LADEN´S BAR. Fazendo jus à sugestiva alcunha, de meia em meia hora acontecia uma confusão no recinto.

    O fato só comprova que o lendário Bin Laden, além de ser uma invenção de mal gosto dos americanos, não seria uma boa como sugestão para se colocar nome de estabelecimento algum. Ou pelo menos, para ponderar a tese propagada por Rossi, bom pensar que o bar é também o lugar dos diferentes, ou da convivência entre eles

Postado por: Antônio Carlos Cruz é professor da Rede Pública de Ensino e Diretor da ONG Iphanaq

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7 Comentários

por Romulo Filho, em 25 de Julho de 2011 as 15:57
Muito bom o texto, uma crônica deliciosa de se ler, em especial pela irreverência e o humor, além de nos levar a uma viagem na história, através de personagens de Quixeramobim que compuseram as relações sociais neste município, em um dos espaços mais democráticos: o Bar. Abraços professor....
por Renan da Cruz Paulino, em 14 de Junho de 2011 as 10:22
Faz muito tempo que não vou a Quixeramobim, mas quando leio suas crônicas, vejo tudo acontecendo... É como se eu estivesse da praça da igreja matriz observando todos esses causos. Vida boa essa do interior....Um abraço, ti guaru. Do seu sobrinho Renan.
por Osvaldo, em 02 de Junho de 2011 as 09:46
Muito bom, Guaras-my-life!!! kkkkkkkkkkkkkk
por Alison Mamede, em 31 de Maio de 2011 as 20:26
– O Senhor tem óleo de pequi Tó? hehehe Muito Bom o texto Parabéns ae Guarúuu...
por Kaio da Cruz Teixeira, em 31 de Maio de 2011 as 09:54
Bem feito, jumento não sobe escada! rsrsrsrsrsr
por Victor Hugo, em 30 de Maio de 2011 as 20:53
Sr Antonio Carlos conhecido assim pelos alunos da EALB e afilhado do Padrim Pereira, um dos icones da um bellisimo lugar chamado Vila Eloi. Esse texto ficom muito legal e ri muito aqui da alcaida, tenho certeza que já bebi nesse lugar kkkkkk
por Bruno Paulino [Pipoca], em 30 de Maio de 2011 as 20:27
O Prof.Antonio Carlos é um cronista de linguagem tragicômica,partindo de Reginaldo Rossi chega a Huxley num mesmo paragrafo,com pausas para pingas bem dosadas nos bares que não se entra pra "tirar o gosto", mas pra dar o gosto a vida, ele trás a luz um anedotario riquissimo dos bares de Quixeramobim, nós leva de maneira bem travessa para fora do bar, nos põe para refletir sobre a parafrase da pergunta que dá titulo a crônica "na vida todo mundo é igual?". Um abraço do aluno, que não sabe até hoje o que é um "trinômio quadrado PERFEITO", mas que suspeita que seja algo assim como essa crônica.

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