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30/06/2011
Fausto Nilo por entre os tempos da cidade

“Escuto a correria da cidade, que alarde, será que é tão difícil amanhecer?” (Chico Buarque)

A lembrança de nossas origens é, ou talvez seja, o que há de mais importante para o ser humano na condição de projeção da identidade e da vivência do simbólico. Estamos sempre buscando o começo das coisas, não sei se para termos coragem de enfrentar o fim ou se para entendermos o que acontece no durante. A cidade de Quixeramobim, terra mãe do poeta Fausto Nilo, é a fonte de onde ele bebe e extrai a substância que alimenta a música das palavras que o fazem seguir em frente sem esquecer o antes, “Nesse instante, ó terra querida ainda estou procurando por ti/essa felicidade é uma lenda que me faz partir/Pra quem sabe o lugar de onde venho é tão claro onde quero chegar/ no deserto desse mundo novo eu vou te encontrar”. Assim, cantando sua aldeia, Fausto Nilo torna-se universal, criador e criatura, um documento da raça.Graça da mistura.

“É o azul que me atrai minha terra/No deserto do teu coração” como se vê, a nostalgia das origens inconsciente, mas ativa, motivada por uma cor surreal matuta na cabeça do poeta,faz dele ”um beduíno com ouvido de mercador”, e procura bem longe no achado de suas vivências por entre os tempos da cidade descortinar a beleza, a fascinação, o maravilhoso que da voz às palavras e aos silêncios “numa ciranda doce pelo ar”, embarca sem retorno e tudo se faz, de certa forma “criança na lembrança” do poeta-menino, a morada de uma “casa tudo azul’’ - antiga casa e padaria de seu pai - de onde extraiu o pão de sua poesia, “o alto da maravilha”, o “velho rio que não haveremos de esquecer”, o “nunca matar de passarinho”, o voltar sempre de “tardizinha lá nas Marinheiras”, a “ponte”, o “trem”, “o doce não esquece a tamarindo” com gosto das reminiscências da alegre infância onde tudo era festa e dança como num boi de reisado: “haja fogo/haja guerra/haja guerra que há”.

“Com o oriente posto em seu quintal” – Fausto tinha parentes sírio-libaneses- o menino cresce e o vivido naquela época adquire através dos versos do poeta-adolescente o “sabor azul” do beijo sonhado em “Dorothy L'amour”, musa dos tempos de Cine Skeff( Sirio-Libanês de novo) por quem teve uma paixão platônica. A voz se cristaliza no antigo “alto-falante” de Fenelon Câmara que o saúda com “um boa noite cordial”, trazendo na aurora boreal as lembranças de seu dolorido coração, que em outras noites já buscava as emoções de “um amor no pé do muro/ sem ninguém policiar”.

O futuro tal como o passado atrai o poeta-adulto, homem feito, arquiteto do verso, que procura suas raízes, sua identidade. “Quem sabe tudo estará sorrindo quando eu voltar?”, diz no partir, olhando no “retrovisor”, que deixa ver o que ficou pra trás, e mesmo distante desconstruindo os muros sua poesia guiada por uma “uma coisa acesa” questiona nosso caminhar presente,no “apitar da fabrica” que se agiganta e pinta a paisagem da cidade de outro azul, quase cinza, diferente do azul de outrora que encantou o menino e fez dele poeta. E como um Quixote moderno que tem suas pelejas e não foge à luta, Fausto Nilo segue na tentativa de amenizar o caos urbano, e nos mostra nas canções que “bela é uma cidade velha” e que “Felicidade, é uma cidade pequenina.”
Postado por: Bruno Paulino integra o Iphanaq e é acadêmico de Letras da Uece (Feclesc).

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8 Comentários

por Bruno Paulino [Pipoca], em 08 de Julho de 2011 as 15:30
Valeu galera, valeu mesmo! agradecimento enorme pelas palavras, do tamanho da curiosidade de um leitor.
por João Paulo Barbosa, em 07 de Julho de 2011 as 11:45
Caro Bruno, a cada texto seu que leio me sinto orgulhoso por ter sido teu professor (embora de Inglês), mas as conversas, as ideias trocadas nos intervalos das aulas e nos caminhos dos grandes e pequenos sertões renderam muito e isso me deixa feliz por você tá nesse caminho das letras (agora nas letras negras, mas azuis, de Fausto). Falando em Fausto, já havia dito outra vez, e não me canso de dizer: todo adjetivo que expresse qualidade artístico-arquiteto-literária pra esse Einstein da palavra bem arquitetada é pouco! Parabéns, Bruno! Evoé, Fausto!
por Neto Camorim, em 04 de Julho de 2011 as 18:46
Caro Bruno! sua sensibilidade poética e literata lhes faz genial. Parabéns pelo texto. Neto Camorim
por MARCOS SANTIAGO, em 03 de Julho de 2011 as 09:46
Grande Bruno vc já virou um camisa 10 na arte de escrever e transmitir coisas bonitas e interessantes. Você como sempre amante da boa música, retrata Fausto Nilo no seu texto, que ficou excelente. E como comentamos certa vez FAUSTO NILO é o nosso CHICO BUARQUE cearense. Parabéns.
por Arnold Paulino, em 01 de Julho de 2011 as 14:05
Muito bom! Fausto é realmente um orgulho para Quixeramobim. "Um beduíno com ouvido de mercador".
por Nayara Ribeiro, em 30 de Junho de 2011 as 20:20
Gostei muito do seu texto. Você tem o dom da palavra. Adorei especialmente as duas primeiras frases, fazem muito sentido. E o final não poderia ser melhor com a música "Retrovisor" que eu amo. Parabéns!!!
por Karyne Araújo, em 30 de Junho de 2011 as 18:33
As citações das músicas fundamentando suas palavras ficou muuuuuito massa Bruno. Não nasci aqui mas Quixeramobim é meu sangue, minha terra o lugar que eu chamo de lar. "Felicidade é uma cidade pequenina é uma casinha é uma colina qualquer lugar que se ilumina quando a gente quer amar".
por Romário Nunes, em 30 de Junho de 2011 as 11:47
Ótimo texto caro Bruno. A reflexão pela palavra para entender o mundo, é isto que Fausto Nilo nos ensina!

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