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27/10/2012
ONG. IPHANAQ participa da 25ª Romaria de Canudos

Representada pelos seus integrantes João Paulo Barbosa, Elistênio Alves e Neto Camorim, em companhia do radialista Paulo Simião e motorista Gilvan, a Ong. Iphanaq (Instituto do Patrimônio Histórico, Cultural e Natural de Quixeramobim) participou de 19 a 20 de outubro, da 25ª Romaria de Canudos. Localizado no nordeste baiano, distante 400 km de Salvador e 750 km de Quixeramobim, no sertão central cearense, terra onde nasceu Antonio Conselheiro, em 1830.

A Romaria de Canudos deste ano teve como tema: “Canudos: uma história de fé e luta”, com o objetivo de rememorar os 25 anos de caminhada do povo de Canudos e região. Cortada pelo rio do Vaza Barris e situado as margens do açude Cocorobó, o povo tem lutado durante todo esse período por terra livre das amarras do latifúndio, democratização da água de qualidade, educação, cultura, saúde e desenvolvimento local sustentável. Enfim, a romaria é um momento de reflexão de que só com mobilização popular a dignidade humana acontece para os sertanejos mais pobres. Assim defendia Conselheiro no século XIX. É por isso que sua memória continua viva na luta do povo que se organiza para reivindicar seus direitos.

Segundo Padre Ednaldo, pároco de Canudos, sempre se escolhe um tema inserido na realidade do sertanejo para uma reflexão à luz da fé da luta do povo. “Em 2012 estamos enfrentado uma das piores secas dos últimos 40 anos no sertão da Bahia. Então devemos aproveitar esse momento para discutirmos a pobreza e a exclusão social que ainda persistem no semiárido nordestino. As políticas públicas continuam paliativas, sem soluções definitivas. Por que isso ainda acontece?

Devemos aproveitar a romaria para pensarmos e agirmos coletivamente, como nos ensinou Antonio Conselheiro ao formar o Arraial do Belo Monte. Ele que saiu de Quixeramobim peregrinando por esse sertão, juntando sertanejos para organizar Canudos sempre usou a mística da fé e da luta para a construção de uma vida melhor para os pobres, que por alguns anos se concretizou. Não foi uma utopia como muitos dizem.” Destacou o Padre.

 Por tais razões que a luta de Conselheiro e seus seguidores incomodou tanto os governos, os latifundiários, o exército e a Igreja da época. Todas essas instituições se uniram para destruir Canudos, que resistiu bravamente a quatro expedições. Foi um massacre, um genocídio contra o povo de Canudos, e até hoje o Estado Brasileiro não reconheceu. A Romaria de Canudos anualmente procura rememorar esses fatos históricos. É a luta do povo e o exemplo de Conselheiro em defesa do povo pobre do sertão.

A programação da romaria teve início na sexta feira, dia 19, com a abertura de uma exposição sobre Conselheiro e a Guerra de Canudos, no Memorial Antonio Conselheiro, administrado pela UNEB (Universidade do Estado da Bahia), que durante os três dias do evento esteve aberto à visitação dos estudantes das escolas de Canudos e região, além de professores e escritores fazendo lançamento e venda de livros, e o público em geral. Às 19h, no teatro do Memorial Antonio Conselheiro, foi apresentada a peça “Melelego” produzida pela companhia de teatro local com o apoio da UNEB, através do Projeto Canudos.

No sábado dia 20, a programação reiniciou às 9:30h com a realização do Fórum de Desenvolvimento Local Sustentável. É um espaço democrático, onde os representantes da sociedade civil organizada de Canudos e municípios vizinhos se reúnem periodicamente para debaterem seus problemas e buscarem possíveis soluções. Coordenado pela Universidade do Estado da Bahia, com o apoio de mais de quarenta organizações, o Projeto Canudos envolve uma equipe multidisciplinar e institucional, com pesquisas realizadas em diversas dimensões, cujo objetivo é desenvolver a região, capacitar moradores e preservar o patrimônio histórico e cultural.

O foco deste Projeto é contribuir para o incremento sustentável da região, a partir das potencialidades locais, tais como turismo histórico, agricultura irrigada e de sequeiro, a  pesca e a piscicultura, a educação para a convivência com o semiárido e as manifestações culturais. Tem como princípio norteador o desenvolvimento local integrado e sustentável, visando promover o reordenamento do uso do espaço, melhorar a equidade social e o acesso aos recursos.

Nesta atividade os integrantes da comitiva de Quixeramobim tiveram oportunidade de participar e em suas falas, enfatizaram a possibilidade de uma maior aproximação entre Quixeramobim e Canudos, envolvendo o tema Conselheiro e outras questões históricas e culturais de interesse dos dois municípios.

Diante dessa perspectiva, Neto Camorim conversou informalmente com o Pró- Reitor de Planejamento da UNEB, Luis Paulo Neiva, que coordena as ações da Universidade em Canudos (Parque Estadual, Memorial e a articulação do Fórum de Desenvolvimento Local, através do Projeto Canudos, e o mesmo mostrou-se muito receptivo a idéia dizendo que a UNEB está À disposição para colaborar.

A programação teve continuidade às 15h com uma visita ao Parque Estadual de Canudos- PEC, guiada por 23 alunos que participaram das três oficinas de formação de guias turísticos na cidade, ministrada por Edna Rodrigues, diretora técnica em Promoção Humana e Desenvolvimento Social, da Secretaria do Turismo do Estado da Bahia.

Esta visita além da presença dos turistas que estavam visitando Canudos durante a romaria, teve também a participação de caravanas de várias cidades da região. Paulo Afonso, Cícero Dantas, Jeremoabo, Uauá, Juazeiro da Bahia, Macururé, etc, além de escritores e pesquisadores que aproveitaram o período da romaria para venderem seus livros e de artesãos comercializando seus produtos.

Criado em 1986, o parque estadual compreende uma área de 1.321 hectares e constituiu-se no palco principal de acampamentos militares, da presença conselheirista e de violentos combates, abrigando valiosos sítios históricos, arqueológicos e antropológicos.

Recentemente foi implantada uma nova exposição fotográfica com painéis em vidro de diversos tamanhos, que chegam a até 4m de altura, com fotografias de inúmeros e renomados fotógrafos que retrataram a Guerra de Canudos, os seus remanescentes e descendentes de conselheiristas. Além das fotos, encontram-se no local o mapa da região do conflito e gravuras com imagens sertanejas. É importante ressaltar que a entrada do Parque foi pavimentada com asfalto ligando a rodovia ao portal de entrada para facilitar a visitação e para maior conforto de todos que desejarem visitar e conhecer o cenário da guerra de Canudos.

No sábado à noite, a partir das 20h na Escola Jário Ave aconteceu uma mesa redonda onde foram discutidos os problemas que atualmente ainda afligem Canudos e traçadas possíveis soluções, além de apresentar o que está sendo feito para superar essas dificuldades, como também fazer uma retrospectiva do que foi feito nesses 25 anos de caminhada do povo.

A mesa redonda teve como convidados o professor Luis Paulo Neiva, Pro - reitor de planejamento da UNEB e o padre Wilson, pesquisador de Conselheiro. Após a fala dos mesmos, aconteceu um importante debate, onde o integrante da ONG. Iphanaq, Neto Camorim, fez uma intervenção falando da importância dessa integração entre Canudos e Quixeramobim. Camorim destacou: “Conselheiro já fez isso no passado e hoje compete a nós, através de nossas ações, com a participação da Igreja, Universidade e da Sociedade Civil organizada, trilhar esse caminho. É desafiador, mas possível de se construir uma sociedade mais justa e com diminuição da pobreza”, disse. Após o debate deu-se início a noite cultural, com apresentações teatrais e show musical com Ismael e banda e a participação de artistas locais e regionais.

No domingo, dia 21, a partir da 5h da manhã aconteceu a alvorada acordando os moradores da cidade e visitantes  e convidando-os a saírem em caravana até a Velha Canudos (hoje Alto Alegre) para participarem da missa de encerramento da 25ª Romaria, às margens do açude Cocorobó que, de tão baixo o seu volume de água devido a grande seca, estando apenas com 1/3 de sua capacidade, deixa aparecer as ruínas da Igreja Nova. Quanto o açude está cheio elas ficam submersas.

Segundo Elistênio Alves, que estava visitando Canudos pela primeira vez: “participar da Romaria foi um momento valioso e enriquecedor cultural e historicamente. Deu para perceber que mesmo após 115 anos da destruição de Canudos, Conselheiro continua vivo na luta do povo baiano e de todo o sertão nordestino. Hoje ele é melhor compreendido e aos poucos vai deixando de ser tratado como fanático, um louco, um monarquista e outros adjetivos que sempre lhes foram atribuídos. Espero que Quixeramobim, sua terra natal, não o expulse novamente, como fez no século XIX, e passe de fato conhecer e valorizar a historia desse homem, um  dos lideres mais estudados em nosso país e no exterior”, destacou.
Postado por: Postado por: Neto Camorim- Historiador e integrante da Ong. Iphanaq netocamorim@gmail.com

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1 Comentário

por DANILO ALMEIDA PATRÍCIO, em 02 de Novembro de 2012 as 23:48
Parabéns pela viagem e o aprendizado!

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