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13/07/2016
Pitty pede fim de grito de gostosa em show: Preciso dizer o que incomoda

O carinho entre Pitty e seus fãs fica comprovado no DVD "Turnê Setevidas - Ao vivo", que sai nesta quarta-feira (13). Mas, como todo caso duradouro (13 anos de sucesso), acontecem as "DRs". "Discutir a relação" foi o objetivo dela ao interromper o show gravado em Salvador e desabafar sobre incômodo com gritos de "gostosa". Veja acima o trecho do novo DVD.

Ao G1, Pitty explica: "Gosto de ter essa intimidade e essa liberdade com eles; posso me expressar. O mais legal é ver que eles me entendem". Para ela, "as pessoas vêm tendo mais consciência de que isso não é legal porque mulheres têm se manifestado, feito barulho. É preciso dizer o que o que incomoda". No show, ela diz: "Eu sei que a intenção é elogiar, fazer um gracejo, mas na real fico constrangida".

Na entrevista, Pitty lembra casos de assédios "horrendos" na adolescência em Salvador. Ela conta como aprendeu a se impor e a tratar hoje "de igual para igual" com sua equipe de maioria masculina, como mostra o DVD. O novo trabalho tem registro das músicas da turnê no ano passado e um documentário com bastidores dos shows.

Grávida, ela não deixa de criar projetos nem de repouso em casa, à espera do primeiro filho com Daniel, baterista do NX Zero. O DVD fecha ciclo de "Setevidas" (2014). O álbum que refletiu experiência de "quase morte" (uma crise de hipotiroismo a levou à UTI) abre espaço para outra fase, com nova vida na família, mais otimismo e liberdade - com direito a desbafos.

G1 – A letra de 'Dê um rolê' é otimista, diferente do clima mais soturno do último disco. Você falou ao G1 que o 'Setevidas' veio num período difícil. Escolher esta música dos Novos Baianos no ao vivo indica um final feliz para esse período?
Pitty – Acho que esse período mais turbulento já tinha se encerrado, com a própria conclusão do “Setevidas”. A última música, “Serpente”, mostra esse prenúncio de bonança. Talvez “Dê um rolê” seja a plenitude da bonança, e o curioso é que ela reapareceu na minha vida meio do nada, do destino ou acaso, ou como quiser chamar.
Conheço desde pequena, sempre amei na versão original e na de Gal, e num desses flashes de intuição pensei em deixá-la ensaiada com os meninos para um programa de TV que a gente ia fazer. Ela não fazia parte do repertório da turnê, só a tocamos uma vez e isso acabou virando esse registro, clipe novo e abre-alas desse novo trabalho.

G1 – No show tem Novos Baianos, Tim Maia, no documentário tem 'Prefixo de verão', sua playlist tem Dona Onete, Gil. Acha que um fã de rock mais purista pode estranhar?
Pitty – Bom, as pessoas podem fazer o que quiserem (risos). Especialmente, nesse caso, dependendo do seu grau de conservadorismo. Quanto mais mente-fechada, mais a pessoa bota o rock dentro de um escaninho pré-concebido, "rock é isso", "rock é aquilo", cercas e amarras. Para mim é o oposto: rock é feito para ser libertário, progressista, experimentador. Investigativo, sem medo de pisar em outros ambientes porque confia na sua essência.
Esse medo de se "perder" ou se descaracterizar não soa muito como uma tremenda insegurança a respeito de quem você é? Pois é... Eu vejo a essência do rock em muitos ritmos, estilos e cantores; mais até do que em muitas ditas bandas de rock por aí que acham que botar distorção e gritar é ser pesadão. Isso é só o estereótipo, e eu achava isso com 15 anos, normal. Hoje, mais velha, me interessa mais a profundidade e a visceralidade genuína do que o clichê. E um bom groove tem seu lugar, lógico.

G1 – O documentário mostra você dizendo ao público que não gosta de ser chamada de 'gostosa' daquela forma no palco. Por que decidiu incluir esta cena no filme?
Pitty – Porque aconteceu, fez parte da história. E acho significativo que tenha acontecido nesse momento, e em um show na minha "casa", em Salvador. Foi um momento íntimo meu com meu público, e eu gosto de ter essa intimidade e essa liberdade com eles; de que posso me expressar e dizer as coisas que me incomodam. O mais legal é ver que eles me entendem, eles sabem com quem estão lidando.

E se não for para ser assim não faz sentido; essa comunhão com as pessoas que gostam do meu som é muito importante para mim. Se no meu próprio palco eu não puder ser verdadeira, ser o que eu realmente sou, é porque tem algo errado nessa relação.

G1 – Recuperei episódios em que você já se mostrava incomodada com isso. Uma entrevista em que você xinga uma pessoa que está atrás e um relato de um show de 2014. Por que acha que é tão difícil as pessoas perceberem que isso te incomoda?
Pitty – Porque é cultural, e faz parte dessa mentalidade de objetificação da mulher. É fruto do machismo presente na nossa sociedade. A mulher é vista como uma coisa a ser tomada, tida, possuída. Um objeto que está ali para o divertimento e deleite visual do homem. Um bom exemplo disso são as campanhas de cerveja, por exemplo. Ou o fato de você andar na rua e ser obrigada a escutar coisas nojentas e desrespeitosas.
A maioria dos homens aprendeu que tudo bem agir dessa forma, que é um direito dele, ou que isso é "elogio". E ninguém havia perguntado como as mulheres se sentiam em relação a isso. Muitas também nem percebem o abuso dessa situação, porque fomos criadas dentro dessa mentalidade patriarcal e aprendemos que "homem é assim mesmo, que bobagem". Eu não acho mais que homem é assim mesmo, acho que homem é muito melhor do que isso.
E essas situações vêm mudando e as pessoas vêm tendo mais consciência de que isso não é legal porque as mulheres têm se manifestado mais, feito barulho. É preciso dizer o que está errado, o que incomoda. A vida inteira aprendemos a ficar caladas porque "as coisas são assim mesmo"; por isso é tão importante que a gente converse e se manifeste sobre essas coisas, para que haja uma mudança real.

G1 – Acha que esse momento de movimentos feministas mais fortes te incentivou a fazer este discurso aos fãs no show?
Pitty – Não necessariamente por causa disso, mas com certeza é um pensamento comum e que se apoia. O que eu sinto em relação aos direitos das mulheres encontra eco e amparo nessas campanhas, dialoga com elas. Eu já me sentia e pensava assim antes, e encontrar esse tipo de articulação pelo caminho só fortalece a luta. Faz com que eu não me sinta sozinha e dá mais motivos para se juntar e mudar as coisas.

G1 – Nestas campanhas, muitas mulheres relataram experiências com o machismo e a violência. Você já viveu outras situações ameaçadoras na sua vida em relação à cultura do estupro, além dos gritos indesejados em shows?
Pitty – Já vivi inúmeras! Veja, eu não nasci num palco (risos). Eu sempre fui da rua, andando para lá e para cá de transporte público, indo com os amigos e amigas para shows nas quebradas da minha cidade. E trabalho desde os 14 anos, então ia de ônibus, a pé, ouvindo coisas horrendas pelo caminho. Pensando em como deveria me vestir para ficar "invisível" nas ruas. Pensando por onde andar, que horas, para me proteger.
Tomando encoxada de homem no buzão e sem poder falar nada. Mas sempre fui da luta, nunca achei isso normal. Meu irmão se lembra até hoje de uma situação: eu bem novinha, uns 18 pra 19 anos, indo pro trabalho em Salvador. Tipo hora do almoço. Ele estava comigo, e nós descemos da condução de um lado da avenida e tínhamos que atravessar uma passarela até o outro lado que era o shopping onde eu trabalhava. Um calor desgramado, eu estava de calça larga e top meio de barriga de fora, com a camiseta na mão.
Quando estávamos quase no fim da passarela, um homem que estava parado encostado na grade veio com a mão em direção à minha barriga sussurrando "huuuum, barriguinha gostosa, hein, mãe..." Minha reação foi instintiva. Antes que ele conseguisse encostar em mim eu dei um tapa na mão dele e falei bem alto, pra passarela inteira ouvir: "não encoste a mão em mim, seu nojento!" E saí andando.
Olhei paro lado e meu irmãozinho dez anos mais novo do que eu estava de olho arregalado (risos). Tive medo, mas reagi porque a raiva de me sentir invadida foi maior. Se fosse numa outra circunstância, se estivesse sozinha de noite, se não houvesse mais ninguém na passarela, provavelmente eu teria que engolir aquele abuso calada, por medo.
Embora hoje esteja menos vulnerável por causa da minha profissão e estilo de vida, ainda assim passo por coisas. E sempre procuro me botar no lugar das outras mulheres em diferentes contextos, especialmente das que estão mais expostas.

G1 – Várias cenas do documentário mostram você discutindo o repertório do show com homens da equipe, dando espaço para todos. Em um momento, você quer incluir uma música e fala 'a mulher quer tocar, deixa a mulher tocar, porra'. Foi difícil, como mulher, se impor neste tipo de situação ao longo da sua carreira?
Pitty – Sempre houve essa questão, mais ou menos clara dependendo da circunstância. No começo minha estratégia era me disfarçar, ser menos "mulher" inclusive na questão estética, para tentar fugir ao estereótipo de fragilidade e delicadeza aos quais as mulheres são associadas o tempo inteiro.
E é aquela coisa né: homem que comanda tem "capacidade de liderança", "mão firme e eficiente"; mulher com voz de comando é considerada "chata", "mandona". Minha sorte é estar cercada de homens incríveis que entendem essa construção social de gênero e não se deixam levar por ela. Entre nós, a coisa é de igual para igual.

G1 – No documentário você cita momentos seus sozinha, de preparação física e meditação, em que você pensa em vários projetos. Nesse momento em que você tem que ficar mais em casa, estão aparecendo muitos destes projetos na sua cabeça?
Pitty – Muitos projetos, ideias e pensamentos o tempo todo; inclusive agora. Claro que nesse momento esses pensamentos e planos estão mais focados nos preparativos para a chegada do bebê, até porque tem bastante coisa pra cuidar e resolver. Mas as ideias artísticas e criativas continuam em paralelo e eu tento organizá-las do jeito que consigo: vou anotando tudo em cadernos, agendas, o que tiver pela frente; e tenho pastas inteiras de coisas como "Roteiros para Clipes", "Projetos Musicais", "Projetos Audiovisuais", "Textos e rascunhos", etc.
Muitos desses insights vêm mesmo nesses momentos de divagação; e quando eu descobri essa capacidade meditativa, digamos assim, nos exercícios físicos foi quando eu realmente viciei nesse lance. Porque o corpo está ali trabalhando, mas a mente está voando. Eu subo numa esteira, boto um fone de ouvido e já era: a música me leva para um estado de abstração consciente que me permite estar ali sentindo o suor escorrer mas ao mesmo tempo ter mil ideias. Eu amei descobrir isso porque sempre achei bem chato esse lance de academia. Mas é a hora que mais rendo nesse quesito ideias, eu me sinto uma antena captando várias coisas do inconsciente coletivo nessa hora.

G1 – Como acha que ter um filho vai mudar a sua vida e do Daniel [Weksler marido e baterista do NX Zero] em relação a turnês?
Pitty – Não sei ainda. É uma situação fora do padrão, vamos ter que descobrir, inventar, adaptar. Nosso trabalho tem horários, dias e dinâmica diferentes dos da maioria das pessoas, então provavelmente vamos descobrir vivendo.

G1 – E o que mais consegue fazer em casa: séries, livros? A série 'Mr. Robot', por exemplo, é a cara de 'Admirável Chip Novo'...
Pitty – Hahaha, sim. Essa ainda não vi, mas tô bem a fim. Esse é outro lance que amo muito: cinema. Em casa montei um esquema com um projetor, então dá para ver grandão assim, naquele clima das salas de cinema mesmo. Ou de qualquer jeito que der, eu estou sempre assistindo um filme. Me interesso pelos lançamentos, pelos clássicos, por algumas séries, tudo. Sou daquelas que emenda um filme no outro facinho, e quando vê já se passaram várias horas. Sempre abro espaço para ver filme na minha rotina, além de ser uma higiene mental muito grande, quase sempre também é fonte de inspiração estética, lírica, criativa. (Do G1)
Postado por: Babados - Novidades e Fofocas

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