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Segunda-feira, 16 de outubro de 2017.
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Criação do município

Mesmo a despeito de haver sido elevado à condição de sede paroquial, em 1755, a povoação de Quixeramobim continuou como distrito de Aquiraz durante mais 34 anos, isto é, até 1789, em cujo o período não teve prefeitos, vereadores, juizes togados ou quaisquer outras autoridades locais que pudessem lhe reger os destinos com autonomia de governabilidade política-administrativa.

Com a criação da Paróquia, entretanto, a povoação ingressou num ciclo de crescimento mais acelerado e, passados alguns anos, os seus habitantes começaram a trabalhar pela sua emancipação, ou seja, pela sua elevação à categoria de Vila, o que efetivamente ocorreu no dia 13 de junho de 1789, quase quatro décadas após a criação da Paroquia de Santo Antonio e da inauguração de sua respectiva Igreja Matriz.

Foi o ouvidor-geral da Capitania do Ceará, José de Magalhães Pinto e Avellar de Barbedo, a autoridade responsável pelos atos solenes de instalação da Vila de Campo Maior, como assim passou a ser oficialmente denominada a sede do novo território municipal cearense, desmembrado da jurisdição administrativa da então Vila de Aquiraz.

O Pelourinho, símbolo maior da autonomia do novo município, foi erguido na tarde do mesmo dia da criação deste, junto ao qual deveriam ter lugar as execuções e outros atos públicos. As primeiras autoridades municipais de Quixeramobim foram, respectivamente, os juízes ordinários José Pimenta de Aguiar e Antonio Pinto Borges, o juiz de órfãos Vicente Alves da Fonseca, o procurador Domingos Carvalho de Andrade e os vereadores Antonio José Fernandes do Amaral, José dos Santos Lessa e José Virgem Lisboa, estes empossados no dia 15 de junho de 1789.
O padre Antonio José Duarte de Araújo Lima era vigário da paróquia, esta ainda pertencia à Diocese de Olinda. No plano administrativo colonial, o Ceará estava subordinado ao governo de Pernambuco, chefiado por Dom Tomaz José de Mello, a quem fora solicitada autorização para a criação da vila.

A Confederação do Equador

O mais importante movimento revolucionário republicano do Nordeste, a Confederação do Equador, teve início em Quixeramobim. A Vila de Campo Maior, antiga e futura Quixeramobim, teve uma heróica participação nos movimentos liberais emancipadores do século 19. Foi das primeiras comunas do Nordeste a apoiar a convocação de uma Assembléia Geral Constituinte pelo Príncipe Regente D. Pedro, em junho de 1822. E quando da proclamação da independência, festejou alegremente a atitude de D. Pedro com sinos badalando e grande manifestação popular. Ao correr a notícia de que o Comandante de Armas da Província do Piauí, o major português João José da Cunha Fidié, não reconhecia a independência e contra ela reagia, a Vila do Campo Maior agitou-se em seus brios cívicos, alistando vários de seus filhos no batalhão de patriotas que se deslocou do Ceará para combater os reacionários colonialistas.

Por isso os quixeramobienses ficaram extremamente chocados quando souberam que o mesmo Dom Pedro I, por quem fielmente haviam lutado, tinha dissolvido, no dia 12 de novembro de 1823, a Assembléia de Deputados que elaborava a Primeira Constituição do Brasil. O arrogante gesto do Imperador se completava quando, meses depois, outorgou uma Constituição com características absolutistas e centralizadoras, diminuindo claramente a autonomia das províncias.
O Nordeste haveria de reagir à prepotência imperial com um movimento revolucionário que passaria à História como a Confederação do Equador, propondo a formação de uma república constituída das seis províncias situadas ao norte do Cabo de Santo Agostinho: Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Alagoas.

Na Vila de Campo Maior, antes mesmo que a revolta explodisse pelas capitais, o sentimento de decepção e ódio abalou suas lideranças. Essas lideranças, insufladas pelo Padre Gonçalo Inácio de Melo Mororó, que era filho de Groaíras, mas morava na época em Quixeramobim, resolveram tomar uma medida extrema: ao receber o aviso da dissolução da Constituinte através de uma carta do Padre José Martiniano de Alencar dirigida a Pereira Filgueiras, Comandante das Armas do Ceará, e transmitida por este às Vilas mais importantes da Província, a Câmara Municipal de Campo Maior de Quixeramobim reuniu-se em caráter extraordinário.
E naquela manhã de 09 de Janeiro de 1824, sob clima de intensa emoção, os vereadores desta vila do interior do Ceará apresentaram uma indicação em que, acusando o Imperador Pedro I de traidor da Pátria, como diz o texto, declara-o e a sua descendência decaídos dos direitos ao trono, e que se organize um governo republicano que, o quanto antes, substitua o Governo Provisório existente na capital, como criação do usurpador e incompatível com a nova forma que se deve adotar. Mas que fique, entretanto, Pereira Filgueiras no comando geral de todas as forças da Província.

A Ata de 09 de Janeiro, assinada pelos vereadores e mais uma centena de ilustres cidadãos, dentre eles o Padre Mororó, já indicava vários representantes para uma deputação extraordinária e para a direção da Vila. Esta Ata transformou-se num documento célebre, hoje citado por vários historiadores nacionais e objeto, inclusive, de questões de exames de vestibulares da Universidade Federal do Ceará e da UNICAMP.
Ativíssimos, os patriotas de Quixeramobim organizaram uma comissão para ir a outras vilas obter adesões. E conseguiram que as câmaras de Icó, Aracati e São Bernardo das Éguas Russas (hoje simplesmente Russas) reproduzissem sua atitude rebelde. (...).
Os que não gritam contra a prepotência traem o destino humano de liberdade e, por omissão, viram cúmplices da iniqüidade. Beijam o nó da peia que os açoita, como reza a tradição proverbial.

Sabemos hoje como foram trágicos os resultados da Confederação do Equador. Fracassada militarmente, teve seus principais líderes, dentre eles o Padre Mororó, condenados e fuzilados em 1825 pela famigerada Comissão Militar, no Campo da Pólvora (atual Passeio Público, praça de Fortaleza).

Hoje, os heróis da Confederação do Equador dão nome às principais ruas da Capital: Padre Mororó, Tristão Gonçalves, Pereira Filgueiras, Azevedo Bolão, Feliciano Carapinima, Pessoa Anta e Miguel Pereira Ibiapina (historiador Juarez Leitão).
 
 
 
 
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